Deparo-me com um aceno inesperado ou um toque no ombro. Às vezes demoro a reconhecer, pois a transição da vida muda o corpo, e de quem passou pelas cadeias mais ainda. Atendendo aos meus pedidos de que falassem comigo na rua, até quem não foi meu aluno ou companheiro de cadeia, mas me conhece, sente-se feliz ao me ver, se declara quem é, e então nos abraçamos no mundo.

Depois dos abraços, passado o entusiasmo inicial e na reflexão, vejo mais nitidamente os caracteres, e a conjugação deles, de quem acabei de encontrar. Nalguns a posição forçada, estou no legal, estou trabalhando, mas não estou feliz. As mudanças nas transições podem demorar e até não se realizarem, mesmo havendo tanto andamento. Não basta dizer tem que ir ou fazer, as escolhas do eu são bem mais profundas. Noutros rostos percebo a tenaz firmeza de que continua no crime e está feliz. Existe um mundo de incertezas e embolação. Ainda dentro da cadeia, eu encontrava num mesmo corpo em dado momento, manifestações díspares e contraditórias, como numa indecisão ou cegueira. Crime e religião se misturam muito nas grades, buscas de uma saída.  E os distúrbios psicológicos aumentam ainda mais os desnorteamentos.

Então, cá fora, no encontro nunca pergunto, como um polícia inquiridor, se continua no crime ou saiu. Simplesmente deixo o amigo falar. Naquilo que o instante e as suas escolhas lhe quiserem dizer. Antes porque a amizade e a vida não estão subordinadas a legalidades e a permanências ou não. Mais do que chances, as imposições para continuar no crime são infinitamente maiores do que para sair. Exemplo. Um aluno dizia-me claramente: “professor, ao sair daqui vou pra comunidade. Estando lá, e claro ainda desempregado, na hora do almoço sentirei fome, então vou no movimento, pego cinquenta reais e já estou empregado novamente.” Ou seja, no crime.

No meu convívio de dez anos de cadeia, lecionando, encontrei muitas vezes mais solidariedade, bondade e verdade dentro do crime do que fora dele. Quando hoje, vejo um ex-interno lutando para sair do crime, não sei se ele está certo ou errado.

No Brasil hoje, existe uma multidão de apenados condicionados, já ex-internos, incomensurável. Sobrevivendo, aguentando, no crime e fora dele. No fundo buscando viver. Só que aprisionados no grande Complexo Penitenciário Social Nacional. Sem grades, porém sem chance alguma. Cadeias perpétuas.

Após anos de convivência e grandes periculosidades, a cadeia me ensinou o drama e até a tragédia, do depois da saída de cada um de nós. De como chegar no mundo lá fora, conseguir e poder ficar. Pois mais importante do que sair, porque isto todos e qualquer um faz, permanecer na liberdade. Com as garras de nunca mais voltar.

Então passamos a conversar e refletir. Pela minha modesta opinião, jogava-lhes o mais que pudesse, em alcançando a liberdade, de que se inserissem na família. Porém família não significa só um grupo consanguíneo, mas antes quem nos aceita como membro seu. Sem isto, o aprendizado da vida me ensinou, temos pouca ou quase nenhuma chance. Quem sai, depois de anos ou de qualquer tempo na grade, sai desnorteado, sem rumo mesmo, tentando encontrar um ponto de fixação social, de vida, sem ter ainda horizonte firmado. “O que fazer?” “Aonde ir?” São perguntas da grande maioria, isto é, quase a totalidade. Diante da cancela do complexo na saída, raras pessoas aguardam um ente querido seu, vindo em liberdade pela estrada. Alguns olhos, de tão aflitos, fazem a vista se enganar, como um amante em ansiosa espera. Daqui de fora, barreiras enormes se contrapõem a estes gestos, de reencontros, de amor e comunhão.

Voltemos para dentro das grades e do depois da saída. Reinserção quase sempre é demorada, pois o ex-interno fica dias sem lugar, sem tempo. E requer paciência,doses altas de tolerância, e esta tão ausente em nosso meio, no sagrado e no profano. Assim, conversando, nos preparávamos pelo menos um pouco para os enfrentamentos. Saindo, no começo tudo são flores. Nalguns grupos familiares, após um início de aceitação, as coisas para o liberto começam logo a recrudescer. “E o trabalho?” “O que você vai fazer da sua vida?” São perguntas não só ditas, mas presentes nos olhares próximos. A noção e o sentimento de lugar vão se apertando, sumindo. O movimento perde cada vez mais espaço. Dependendo, uma casa pode causar mais mal-estar, sufocamento, do que uma cela maldita. De onde se veio pouco se retorna, isto é, do nosso próprio lar. A família do preso tão criminalizada quanto ele, às vezes compõe o fechamento de possíveis retornos e aceitação.

Parte dificultosa de mim, que de quase nada vivida. Somente a duras penas, de muitos secretos queridos. Mais que ansiedados talvez.

Entrando diário pelas grades, nalguns a busca ia se buscando, se tocando, se encontrando, nos vendo. Eu, num fluir espaçante, pesquisava entre os vãos dos ferros, proibitivos, enclausurantes, a quem esperava. Internos em atos arrojadores e sinceros punham-se às portas, ao grito do aguardo na sentida saudade. Podia ser eu ou para até quem fosse, uma professora, mas estavam ali. Meu rosto também já ia se buscando, num lance primário de rua, de mundo, invasão formativa dos quereres, dos vindos. A grade apinhada de gente.

Andei por indícios de hesitação, desabilidades por dentro, a pele desacostumada àquilo. Mas aos poucos me fui me cedendo. Eu vinha também de secura por mim. Educados proibidos cá fora, os afetos se buscavam lá dentro, por dentro, desejantes na vida fugir, existir. Começamos aos ôis e aos dias. Mãos ainda não se tocavam. Porém olhares se queriam, esperantes. Em periculosidades afetivas avançando. Explosões sinceras comedidas, lampejantes, ao impacto do imprevisto. A saudade talvez se existisse. Se não, mourejava escondida ao assalto, na leveza diária da dor. A quem eu sonhava faltou-me ou ainda não veio. A grade a janela do ver; a ala passante a rua.

Bem antes, que nunca sabemos quandos, braços e abraços já se queriam. Éramos vidas ali. A alma mesmo que fosse, dorida ou não, obrigava a ir. E afetos desconheciam as ordens e limites, não careciam deles. Enforcantes. Corpo se alimenta do outro, de tudo que se possa dar. Não havia assim escapar. Salvar somente às auras higiênicas, que nunca preferem viver. Os corpos iam e vinham, movimentos e gestos da distância próxima, de que você pode chegar.

Mais então; histórias de vida, minha e dos internos, foram se colocando. Tínhamos agora a quem nos lembrar. Meus olhos de mim aprendiam com eles. Mãos dadas, vistas e passantes, furavam do nada a moral em castrante. Machismo não morava ali.

Num contrário cá de fora, a cadeia nos tornava livrantes. Sinais que estamos tão mais presos, do que soltos pensamos na liberdade do estar.

Por que falo de nós assim tão separados e distantes? Ao ver quase diariamente na TV gente conhecida ou não, escrachada, tratada ao último desdém. Jamais vi, e ainda estamos longe de presenciar alguém, repórter, estudioso ou gente comum, indagar, ao menos indagar, o que seria a pergunta primeira, que mundo ou história de vida leva ou levou um homem ou mulher a chegar e estar a tal ponto de vida.

Por mim, interno ainda e longe, sei que desconhecemos nossa infância e juventude. Os institutos de pesquisa e amostragem, manipulados, pegam e propagandeiam uma vitrine aceitável. Existe um histórico e intenso analfabetismo em nós mesmos. A segregação muralhante da vida impera. Este analfabetismo, entenda-se desconhecimento, tem muito a ver com o escolar. Não só dos alunos, mas antes, bem antes, dos próprios professores que nos ensinam. Que por lógica, se existe professor bem formado, este lutará a todo custo por excelentes aprendizes. A referência máxima que conheço é a escola de Platão. Que há tantos séculos os inteligentes buscam. Mas voltemos a nós. Muita coisa das escolas públicas lá de fora têm a ver com as celas daqui; a cadeia. A começar pelas separações em quantidade, logo a seguir os entupimentos; salas e celas abarrotadas. Antes porém tudo vai por um número e vaga. Os gestores escolares entendem pouco de gente, de criança, inclusive muitos deles mesmos. A relação do guarda com o interno é marcadamente inferiorizante. Lá fora, vivenciamos a superioridade das professoras e professores. Às vezes quando muito ou dito melhor, uma relação adocicada de bondade estabelecida. As coisas sempre acontecem, evitando o perigo de num momento querermos nos conhecer. Antes porque conhecer é um continuum. Desculpando aqui, na visão de preso, certa palavra latina. Mas não esqueçamos que o português vem dela, é ela. O que eu quero dizer e digo, que entre o nosso intenso analfabetismo escolar e a falta de conhecimento e consciência de nós mesmos, do brasileiro por ele, existe alto parentesco. Isto, se tudo não for a mesma coisa. Um filósofo nos explicaria. O aumento das escolas veio com o das cadeias. Há algo de errado. Ou será o certo? Volto novamente ao filósofo.

Mas pensando um pouco mais, não precisaríamos tanto de um filósofo para nos dizer, a talvez então nos fazer começar a desenrolar este nosso grande nó. Nossas mortes já existem antes de acontecer. Morrer também é continuar vivendo, só que de um certo modo. Antes das tragédias há todo um mundo favorável, fertilizante. Volto a dizer, existe o antes de tudo, que nós mesmos produzimos; as mídias, o poder público e por aí. Nossa vida só quer viver, tem algo que não permite. A tarde inteira do Sandro no ônibus 174 mais a tragédia da Tasso Fragoso, por consciência e verdade morrerão comigo.

Nos coletivos penitenciários há uma palavra muda. Jogada no reino do silêncio. Desde o início, já bem antigo, certamente a que me causa mais trabalho e embaraço. No intuito extremo e em alta conta de nunca ferir brios e reacender feridas pessoais e sofredoras, tento por demais ao menos bulir com ela, fazê-la tremer e até deslocar-se, como uma grande pedra terrível.

Os eufemismos oficiais estabelecidos sempre me incomodaram, sobretudo pela falsidez e traição. No fundo deles, existe o objetivo domesticador: “você é inferior e até ruim, mas eu te trato bem.” Assim, se em todos os meus textos sobre cadeia tive cuidado, este sempre se pauta em nunca deixar passar por estas mãos que nos escrevem, o discurso estabelecido do poder. Antes também porque, ele é às vezes até recriado e sustentado por quem injustamente culpabiliza, o próprio preso. Escapando desta autocondenação só as inteligências, mas isto já estamos em outras histórias. Voltemos e deixemos esta sair. Assim como no céu a palavra Diabo não entra, e no inferno santo nem pensar, nos meus todos anos penitenciários, somente uma única vez o termo bandido foi enunciado pelo próprio, aí em ato de profunda análise literária, antecipando-se inclusive a este que vos escreve. Então eu conto. Em primeira incursão de pretensa publicação escrita, quase diariamente eu levava o manuscrito e seus avanços feitos para as grades do III. Mais do que ninguém, inegavelmente os alunos de lá estavam aptos a interpretá-los. Mais ainda, porque eram eles que estavam a dizê-los, os parágrafos que então eu escrevia. Num instante de sabedoria e de sala, jamais esqueci aquele olhar e a voz, o querido aluno Frank, Francisco Emanuel Martins hoje em memória, marcou-me que estas mãos tentavam, e já por si uma ação, deslocar o significado da palavra bandido. E nisto Frank está póstumo na minha vida.

Caminhemos um pouco mais. Durante certas revisões de texto que faço, às vezes a palavra bandido me fere também por dentro. Lembro que na grade ninguém ousava dizê-la. A não ser por obrigação de citá-la numa explicação. Como de quando na rua, um policial ao verificar no sistema computadorizado de bordo da viatura, que a pessoa identificada era um ex-interno, gritava-lhe em alto e bom tom: “chega aqui bandido!” Bem mais que o único isso descrito, dentro das muralhas, a palavra adquire certa economia de uso e significado, nas falas de todas as bocas que não as internas. Ora para condenar, ora para desumanizar. O outro nem o outro é porque um bandido. Bandido então significa a desigualdade extrema.

Qualquer destes textos escritos, nem sei qual deles será, alcançará o objetivo desejado, quando a palavra-pedra bandido for sentida ou posta por um fiel leitor, deslocada. Não nos esquecendo jamais, que esta pedra além do seu enorme peso é parte de uma pedreira. Nosso trabalho, meu e do leitor, seria assim de ardilosos construtores.

Ninguém sai imune de uma cadeia. Do diretor ao preso mais anônimo, todos estão trancados. Que as muralhas não são pessoas. Ao iniciar-me na feitura destes textos, mal-estares me afligem por dentro. Coisas anteriores não estão passadas, resolvidas, ficam apenas inertes, esperando uma hora de aflorar, ou explodir. Por vezes, ao conversar com alguém, bombardeio os ouvidos alheios sobre as penúrias das grades. Com médicos aos quais paguei caras consultas, aconteceram os bombardeios. Eles, os médicos, pacientes deixam-me falar, contar as minhas histórias de grades. Quem deveria falar, pelo menos num momento consultando, só me ouve. Devem ter-me por um perturbado ou louco. No final da conversa eu me desculpo da falta de educação feita. Mas só a descarga da garganta me socorre, me alivia.

Dez anos de cadeia não são dez dias, sem heroísmos. Com toda a carga de pressão em Bangu III, clarifiquei durante muitos meses a vontade de dormir, pelo menos uma noite, numa de suas celas. Queria um mergulho mais fundo no poço, sentir os silêncios e os movimentos noturnos do crime, suas declarações e perigos. Internos amigos mais próximos, sabendo as direções das minhas vontades, tornaram-se receptivos e felizes. Quem sabe algum cigarro rolaria entre nós e até riríamos, eles comentavam. Os sentimentos não escolhem lugares.

A cadeia nos juntou e algo nunca mais nos separará. A noitada solidária não foi possível, por impedimentos legais e de segurança. Minh’alma queria mais sobre a ação da prisão, o que é estar  num corredor daqueles. A grade havia sido vencida.

Nestes anos todos de cadeias, vi um continente de perturbações mentais além das minhas, alunos com ansiedades e angústias extremadas. Fora outros casos mais profundos, em que alguém se entocava na baiuca, mal saindo para necessidades básicas. Revoluteios e surpresas mentais aconteciam. Com certa calma, eu tentava recompor, batendo no discurso da esperança e da vida. Mas também eu me desgastava por dentro. O peso enorme do mundo nos atormentava. Falávamos a nós mesmos, como um consolo moral, que o lado do poder estabelecido torcia por nossa morte, mas que nós, eretos, sairíamos inteiros para a vida. Agora, nestes dias que escrevo, talvez ninguém me ouça, porque no fim eu também fui um interno.

Fui me tornando uma referência na cadeia. Pessoas do coletivo penitenciário já me tinham como bem íntimo. Estávamos parceiros na luta da resistência pela vida. Ao chegar nas portas de Bangu III, bem fora ainda das muralhas, eu sentia a sensação de que me esperavam. Do ser recebido bem. Ao entrar na carceragem e passar em frente das bocas das galerias, cumprimentos efusivos de prazer aconteciam. Para eles era uma retomada mais significativa da vida, eu estou vivendo. Apertos de mão e abraços na ala das galerias, como numa rua, de homens comuns e sinceros. Não ligávamos tanto para as grades.

Porém na ótica moral do bem e da legalidade, quem conversa com bandidos é igual a eles. Já talvez um deles. Certos guardas então, começaram a olhar-me diferentes, com ares inquisidores ou modos de piadinhas provocantes. Queriam saber qual era a minha. Como não tinha nada a declarar eu seguia sincero. Nossos vínculos de amizade aumentavam cada vez mais, entre eu e os internos, ao ponto de já ser aceito e até compartilhar de conversas mais restritas. Também, nunca sabatinei alguém sobre sua vida no crime. Um ou outro que me contava algo, acontecia sempre na liberdade do descarrego da conversa, crime sem julgamento, só na existência da vida. Eu soltava alguns podres meus. Em bate-papos, às vezes passávamos tardes inteiras, em devaneios. Passei por momentos de gostosas felicidades na cadeia. E estes procedimentos estão fora e proibidos pela moral da segurança pública. Onde já se viu, um professor sendo abraçado e cumprimentado por bandidos? Isto não pode acontecer!

No ambiente dos professores e professoras, falavam em telefones grampeados. Uma, para amedrontar e coibir, outra para monitorar mesmo. O magistério suspeito. Como sempre tive uma ojeriza a telefonemas, penso que os homens da escuta se frustaram muito comigo. Meu aparelho raramente toca, e quase eu não o ligo. Pelos ardores manifestados, de guardas e de policiais militares, com certeza durante algum tempo fui constantemente vigiado. Alguns episódios meus favoreciam também isso. A começar pela minha vontade e assiduidade, de estar todos os dias ali, dentro daquelas carceragens. A vigilância sobre mim não me incomodava, fazia parte da guerra. Até também, por um outro lado me favorecia, confirmando-me de que eu estava no caminho certo. Minha razão já me desobrigara do mundo o qual eu fora criado. A bandidagem me fez descobrir a imensidão da vida. O mundo sincero e verdadeiro está para sempre fora do legal.

Tive ocasiões de receber olhares como gente suspeita, de vários polícias. Inseguros, um ou outro dispensava-me cuidados de pessoa perigosa. Os grandes do crime gostam dele, desse professor, portanto olha bem. Numa fase de muita tensão e de guerra dentro do III, um preso amigo ficava constantemente comigo, espécie de guarda-costas. Lembremos, que cadeia vira num minuto para o outro. Nas minhas saídas, normalmente solitário, eu ouvia uma voz de alerta do coletivo em direção aos guardas. Em casa eu me perguntava por quê. Me mostrado depois pela lógica da guerra, que o lado legal do bem poderia matar-me e provar ao mundo ter sido os bandidos. Coisa não muito difícil de acontecer. Então, passei a ficar mais alerta, como se isso me livrasse das coisas. Para consolar-me, nos meus medos e fragilidades de pobre homem, passei a alimentar-me do desejo de que num sufoco de morte, pediria aos meus amigos da cadeia que me valessem por dez.

Eu vinha da faculdade cheio dos clássicos e das histórias dos ricos. Germinal e Crime e Castigo me abalaram profundamente. Sacudiram os modos de ver das minhas retinas. Nas grades encontrei uma profusão de corpos e gentes. Aquilo assim não tinha história, pois eu nunca ouvira um nada que fosse lá fora. Um emaranhado rico e denso de origens e maquinações. Um espremido de Brasil estava ali, de cores, tamanhos, suores e odores.

Todos embalados num achatado de mesma marca:cadeia. Lá dentro observando bem, descobrimos que eles não são iguais, melhor, todos diferentes. Potências e capacidades perdidas, emolduradas, relegadas a um sem sabor, ou a um odor do pior, do imprestável, do fim.

Por mais que houvera lido meus olhos não sabiam daquilo. De como se vive, se come e se dorme numa cadeia. Então me pus ao trabalho incessante de rascunhar e de escrever. Até me conseguir conduzir por aquela estrada, enlameada e escaldante, de um início de outros começos. Leia mais