Passageiras diferentes entraram no ônibus à noite, em horas de tarde recolhimentos noturnos, nos corpos cansados que voltavam. Subiram antes com perguntas ao motorista, queriam saber de ondes. Bolsas cheias enormes dificultavam as pernas, causando transtornos e atrasos. As roupas nos diziam algo, melhor, talvez tudo. Aos desarranjos e pesos buscaram lugares e quase sossegou. Pois enquanto todas as outras roupas só voltavam elas ainda iam, em tempos de contratempos. Exageros de botas, brincos e cores, como quase a visar casamentos ou festas, enchiam nossos olhos restantes de um pouco estranhar e algum espanto. Pareciam todas, eram três, aos trâmites de uma longa viagem, mais penosa que longa.

Suas marcas vinham claras bem visíveis, sem amostragens necessárias de papéis. Os rostos diziam afoitezas com com anseios de chegar. Aos poucos fomos por dentro, às aproximações respeitosas de algum dizer, indagar. Para Água Santa*? Perguntei. Houve um segundo de entrave, de segurança ou receio. Não somos polícia, abrandamos. Quem lhes diz foi um simples professor de cadeia. Andamos e vivemos por carceragens a muito, reforçamos aos seguros. Uma das bocas confirmou, visitas de preso. Tão logo trocamos boas-noites pelo ponto que chegava.

Desci do ônibus em jogos de espírito e a sorrir por dentro. Intenso de comunhão aos volteios, pelo visto daquelas senhoras.

Nota do autor: Presídio Ary Franco* em Água Santa, Rio de Janeiro. Popularmente conhecido pelo nome do próprio bairro onde se localiza.

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