Nosso tio falava que andar pelas ruas sem farda era proibido. Dava cadeia ao soldado faltoso. Às manhãs, roupas da soldadesca se metiam na multidão operária aos trabalhos sem peias nem medos. Aos depois foram sumindo. Quem ia ou vinha aos quartéis vestia-se aos disfarces civis. Isto levou tempos a se completar a que ninguém se assustasse, se apercebesse. Estratégias de uma guerra futura já em anúncios. As cores da pátria mudavam de cor.

Carro-anfíbio se pôs ao assalto de guerra no Largo da cidade na Carioca. Mulher de rua viu naquilo uma estranheza. Explodir a quem ali, os prédios? Ela se perguntou. Dei com tropas às ruas, vigiantes. A multidão ordeira por elas só passava. Sentinelas aquarteladas se põem às esquinas, numa certa invasão estrangeira. O inimigo está na miséria. Pontos da cidade são geografias a tomar, a invadir a matar. Vielas e becos escondem inimigos, instrui general-comandante. Todos os ataques de infantaria. Somos o principal. Que as polícias são meros auxílios. A morte e a guerra por aqui são nossas; e normais.

Não sei o que pensam mães dos filhos aos quartéis. Se podem ou não matar parentes e amigos. Se as cores e as ordens valem mais que todas as vidas. Se a pátria dentro delas também já virou inimiga. Se enfim de qual pátria falamos, nas duas que aqui estamos; e somos.

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