Boca do metrô em Botafogo* e a chuva noturna. Num relance alguém passa meio que correndo e, em tom de defesa grita ser menor tendo só doze anos. Aproximo de uma barraca a beber um refresco. Ao que o camelô em revolta retruca, que menores podem fazer e acontecer, pois que estão acobertados pela lei. Que, segundo se sabe pelo povo e se entende, a infância brasileira está protegida por um jurídico que lhe confere direitos; os chamados direitos da criança e do adolescente. Na hora e embaixo daquela chuva, retrucamos também que num país tipo o nosso, no qual a partir do presidente e indo para o legislativo, grande parte dos políticos responde a processos criminais, não tendo portanto, como isto aqui dar certo nunca. Ao que os dois, era um casal, concordaram reforçando com mais coisas. Só que, saindo dali comecei a pensar sobre o que deveríamos ter dito e não soubemos. Adiante e agora nesta crônica.

Ao dizer-se menor e assim protegido pela lei, no risco de um sofrimento físico, pois que na certa atacara alguém, ele, o menor, só estava executando sua própria condenação. E isto não soubemos dizer. Ou seja, o intransponível fosso entre o escrito e a vida. Que neste caso, só existem falsas  ações. Explicando. Se a tal criança em fato fosse branca e rica, a lei não só valeria como vale; até também porque seria outra infância. Porém, menino de rua e negro, já está ali, condenado. Se viver nesta já condenação, vai ser apenas mais um, residente de várias prisões.

Agora o fim capital. E nisto, a “Maria da Penha”* passa pelo mesmo processo. Diante de necessidades de poder e propaganda, as mídias e algum juizinho explodem logo, com aparatos e dizeres da lei. Tudo, com o único de enganar e enganam. Mostrando que eles, os dirigentes, preocupam-se, defendem e protegem a infância e a juventude. Em gesto de encobrir o Inferno, o desamparo a que estão “premiadas” as nossas  vidas nascentes.

Notas do autor: Botafogo,* bairro do Rio de Janeiro. Maria da Penha,* lei de proteção à mulher.

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