“Podem te matar.” Ouvimos esta frase nos últimos tempos, com acentuado poder de intimidação na fala visado ao nosso modo de discurso. O que assim nos fez lembrar, que ela esteve presente por nossas vidas de diferentes maneiras por todos os tempos, em variadas situações. Às vezes sai numa brincadeira, por outra em dizer pouco notado. Mas por todas as citações, perpassa e se presentifica o fim ao qual a tal frase em atitude histórica se propõe. Ouvi-a de nosso pai de muitas formas; com certeza aos cuidados com o filho que criava. É um texto-áureo por todas as famílias, atravessando o mar social brasileiro.

Não busco aqui o caráter particular da sentença sobre mim. Busco ver como ela se mantém, com as mortes acontecidas e em acontecimento que a põem em ato. Porém mais ainda, sua influência e existência no pré-consciente e consciente nossos. Todo brasileiro do povo a tem, como um mote de morte sobre a vida, um bramir de medo e grande precaução, limite mortífero do gesto. Assim, verdugo e vítima numa mesma pessoa; frase-conteúdo sempre pronta à ação, a agir. Pondo-nos aos olhos, que há um latente por trás dela. Que a atividade sofre por aqui uma grande sentença social de morte. Um existir guiado não pela vida.

Podem, verbo em terceira pessoa com indeterminação de sujeito em alcance infinito. Todos ou qualquer um pode executar; e que ao enunciá-lo na frase é um em si e no outro.

Comparei nosso medo ao “podem te matar” momentos atrás, com o dos portugueses antes das descobertas históricas do Novo Mundo. O mar-natureza grande amedrontador assassino. Que é preciso transpor, vencê-lo.

Nota do autor: temos objeção quanto a certos usos da palavra “indeterminação” no conceito gramatical de sujeito indeterminado, pois que nos remetem a dúvidas. Estas não colocadas na crônica.

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