Amigos, puseram-se na comarca* a brincar. Num instante se viam por entraves e lutas. Um perdia um ganhava, no jogo de vai e de vem. Mãos e braços aos apertos. Riam-se dos agarros. E fluindo fluindo, já não paravam de se ter, crianças de um perder ou vencer. Rostos e bocas nos olhos de mais intenso. Carnes e carnes pelas fainas de um corpo ao outro; se engolfando. Por um trisco de jeitos duas bocas se encontraram, línguas e demais sabores, perfume chamoso de sexo. Quem menino ou menina nem pensavam mais. Tudo ali no mundo, que buscavam, e se faziam. Mordidas e lábios no descontrole de baiuca* a dois, aos deleites de casal. Entre laços de braços os presos já não se largavam mais. Venci, disse o de cima rindo. Passivo o de baixo se entregante, amoleceu. Recebendo por suas carnes quentes, nervuras de amor que o outro lhe penetrava. Colados em um dormiram aos panos depois.

No acorde depois da festa, tomaram-se ao repúdio pelo ato feito, o machismo da cela não os queria mais. Assim, coisas e trouxas, pularam a cerca ao lado dos separados, expulsos da incompreensão.

Nota do autor: comarca,* lugar onde o preso dorme, no jargão penitenciário. Baiuca,* o mesmo do anterior com cortinado. Os dois termos às vezes se cruzam no mesmo objeto.

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