A Marielle Franco, em memória.

Os olhos da mulher explodiram ao ouvir-nos. Sua boca começou a balbuciar, a dizer-nos coisas de admiração e agradecimento em suaves doçuras. O impacto se deu por contrameio. Que num instante nosso ela ouvia a voz da favela em corpo de asfalto a pronunciar.

Agora outro mover. Observamos sempre e muito, cabeças cultas ou com um certo letramento, nunca entenderem ou se falarem em incompreensões, o do por que os de fora do crime nos morros não colaboram com as forças e o poder do Estado. Caso isso acontecesse, como nos diz Judith Butler, seria colaborar com e de quem ao contrário temos que nos proteger.

Observamos também que não só nas favelas, mas nosso foco aqui é nelas, há um forte pensamento de vida sempre nascente em jeito de existir, de querer se concretizar, e assim produzir outros mundos, noutros olhares e relações. Quando então uma bala-polícia atinge um corpo no morro, nos longes, nas periferias; mais que matar esse corpo, o alvo maior é fazer recuar e morrer qualquer pensamento livre, brotado e sustentado por cabeças do povo. Matar então é colocar a morte nos corpos vivos, dilacerando a fundo toda e qualquer comunhão verdadeira que possa existir. Principalmente entre quem quase ou nada possui.

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