Iremos nos matar mais, achamos que cada vez mais, por ação da justiça. Vi um polícia federal em som de passeata, repetindo numa fala de muita consciência de que se desarmassem as polícias militares estaduais. Ele com certeza possuía sólidas razões do por que arautava aquela mensagem. Nisso descrevo a seguir, o que julgamos e sentimos ser um recrudescimento dos nossos caminhos em direção à morte, que me faz num contrário uma específica nostalgia me crescer por dentro. E dizemos agora qual é. A polícia brasileira já matava, como sabemos que sempre matou. Mas as colheitas dos corpos mortos pelas balas e armas dos governos antigos, ainda escasseavam no campo frutífero da vida, comparadas às de hoje. Ou seja, o muito de ontem se tornou enfim tão minguado à farta quantidade de agora. Não sabíamos que teríamos tamanha saudade fúnebre. E assim já prevejo, de que daqui a dez anos teremos saudades dos números de mortos atuais. É só uma intensificação dessa mesma saudade, dirão alguns mórbidos em humor negro. O mundo não muda, caçamos contínuos a morte. Esta crônica já vai então com dupla saudade, a do passado e a de hoje para o futuro próximo.

Toda essa nostalgia fúnebre se dá, porque o Supremo Tribunal Federal brasileiro liberou mais outro exército a andar armado, nesse caso o de todas as guardas municipais do país. Bandido que sou, ao ver os guardinhas sem armas de fogo pensava: com pistolas no coldre eles também poderão ser mortos pelo crime. E essa ideia já vinha no antepasso de outra: porque começarão logo também a nos matar; e na ordem toda pessoa do povo socialmente matável, e como sempre os trabalhadores periféricos, os pobres, a população favelada e todo aquele julgado não dócil e inútil. Os negros quase sempre com a fatia maior do bolo genocida ofertado.

Cada guarda municipal que vejo, mesmo só ainda com um mísero cassetete à cintura, muitas vezes ostenta ares de general; ele não se julga povo. Só que cada um deles está numa família e tem casa, recebe salário baixo e assim é um periférico ou favelado; sendo mais um braço repressor e até mortal dos seus, então de si mesmo. Também não poderá jamais desfilar com farda ou gerar desconfianças do que é por onde mora; viverá acuado como um cão medroso. Nossa população por esse modo, estará sob a era de mais tiros no meio de si mesma; cabendo a cada indivíduo se habilitar e se sentir mais hábil ao se abrigar ou a correr. Armas geram mais armas que geram mais mortes. E os vivos viveremos sob um aumento de pânico inconsciente, tornado consciente em inesperada batalha de rua. Numa guerra de mais guerra a caminho da própria guerra.

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