Guardas se provavam inúteis e perigosos, não serviam à função de encarcerar. Percebíamos que admitidos e chegados ainda crus das escolas de formação, lhes punham logo nos miolos das cadeias a mexer com presos, cadeados, grades e amontoados que somos nós; tudo isso como uma prova de chegada. Até aos mínimos sinais de roupas, sapatos ou gestos, eram analisados e podiam ficar a bater cadeados e controlar coletivos prisionais, ou sair do encarceramento para nunca mais voltar. Uma cor mais colorida de roupa ou adorno fora dos preceitos e cânones machistas, tornava já tudo suspeito e frágil. Rosa ou matizes em conjunto lembrando arco-íris nem pensar. Mas podia ser também uma outra cor que revelasse fora da ordem; a vermelha nem chegava nas portarias penitenciárias, só em cuecas invisíveis e calcinhas. Um lenço rubro servia de chacota entre guardas, no cogitar que já está se fechado cúmplice com os bandidos do Comando Vermelho. Mão masculina com unhas bem feitas, portando anelzinho carinhoso e então suspeito no dedo mindim ou outro qualquer, punha o guarda ainda novato no campo do feminino. Um chaveirinho de pelúcia marca de viadagem. Nunca vi funcionário-polícia com cabelo grande ou corte mais atraente. Modos de se mexer, tonalidades e trejeitos diferentes de voz e boca sentidos o mínimo de fêmea, diziam e denunciavam o não servir. Só trabalhava direto com a multidão encarcerada, se houvesse o anormal no sexo do guarda muitíssimo enrustido para não se notar e assim ser útil. Guarda não-macho ia mexer com papéis da burocracia e outros afazeres longe dos corpos bandidos. Podia acontecer um escândalo.

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