Scales of Justice on table, Weight Scale, Balance.

Em uma época tínhamos modernos fuzis e farta munição; mais umas pistolas artesanais perfeitas de madeira para completar-nos em caso de ação. Meus amigos ficavam envolvidos em trazer para dentro o maior número possível; aquilo possuía um fim que todos nós sabíamos. Medroso e precavido eu não me metia, ficava ao longe de tudo, às vezes nem olhando. O cérebro ainda não, mas a alma sabia o porquê da minha isenção. Algumas coisas se passavam sem que eu as entendesse direito. Havia todo um grande plano de fora para dentro, envolvendo a guarda do plantão além do pessoal externo fazendo vista grossa ou direto no negócio, agindo, trabalhando. Todos ganhavam, incluindo o mínimo papel na treta. A bom preço, tudo acertado e pago por nós a bandidagem coletiva que nunca falhava na grana. Passado algum tempo de banho-maria, certo cozimento ou um gesto nosso dito assustador, começava a caçada de gato e rato: a polícia querendo saber aonde havíamos escondido o arsenal para tomá-lo de nós. Mas o engraçado era que a segurança que nos vendeu, ser a mesma que espalhava em inquestionáveis verdades, a acusação de que os professores e professoras é que traziam os fuzis e as munições, por vezes granada. Então, o reduto na carceragem macomunado com o crime era toda a escola, inclusive suas paredes com secretos e poderosos cafofos cheios de pistolas. Quando na real, das bocas das celas víamos os mestres e mestras passando meio medrosos pela ala, entrando e saindo das grades antes e depois das aulas. Mais assombroso ainda, não existir nenhum não a esta falácia oficial e pública. No registro aqui, que todos, sem exceção, passam por uma portaria com minuciosa revista. À noite no catre, lembrando dos trabalhos de entrada das mercadorias proibidas na prisão, inclusive e principalmente as armas, eu me perguntava se os funcionários e então o Estado eram corruptos mesmo, ou se aquilo já não seria da natureza deles. Assim, nem havendo corrupção, quem sabe se crime.

Minhas mãos não entravam nos rolos macomunados não por pureza, mas por saber que por mais fortes que estivéssemos, presos não alcançaríamos nunca a liberdade assim só pelas armas, como não alcançamos. O Estado não permitiria, sem sombra nenhuma de dúvida, ser quebrado o laço que sempre o engorda e o mantém: a moral e o poder, qualquer que seja a parada.

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