Violentam o sexo e atazanam as meninas de corpo inteiro, o Ministério Público vai apurar, leio tal ponta de Inferno no jornal. Ainda eu carteiro décadas atrás, vozes correntes dos meus amigos de cartas e entregas, nos diziam que nas casas de correção de mulheres menores, as mesmas do jornal acima na Ilha do Governador,* era costume liberarem as mais bonitinhas para se prostituírem durante o dia pelas ruas, com o dinheiro ganho indo para as mãos dos guardas; formando assim um esquema diário social de exploração das carnes juvenis e talvez infantis.

Numa época próxima da atual em qual escrevo, grandes e destacosas reportagens nas folhas fluíram sobre castigos cruéis, em intensidades de requintes sádicas, sobre as jovens aprisionadas ditas em educativos. Pelo que sentimos e sabemos a grita não passou daí, de enorme encenação midiática enganadora com grande fundo moral. E o Ministério Público Brasileiro se pronunciou num discurso de alto conhecedor da coisa, defensor dos direitos humanos, mas entremeado e no corpo de tudo falas clichês e muita propaganda. Tanto que recentemente a mesma baila se fez, se repetiu, como já dito no início, num grito mudo das bocas das meninas em martírios, e a posição moralista da investigação ministerial em rigor de falas.

Pelo dantesco disso e mais, muito mais, por aquelas dependências grutas escuras lacradas aos ouvidos da grande população, há um longo grito de sufocação mortal e intensa dor humana em constante ecoar, porém tornado socialmente mudo. Talvez lá não estejam pessoas, e muito menos porque mulheres. O próprio Estado que tortura fingindo reeducar encena enganoso socorro e cuidar; aquele o reeducar pelos braços do encarceramento e estes pelas mãos da atenciosa justiça.

  • Ilha do Governador: bairro da Cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

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