Somos pessoas que estamos lá. Vemos publicadas narrativas e narrativas, histórias e histórias, em torno ou sobre quem está por trás das grades dentro das cadeias brasileiras. Os discursos e os olhares, a atenção e os saberes, aumentam. Mas os presos ainda são neles só eles e, ainda distantes, bem distantes de nós. Literaturas em textos agressivos por tonalidades fortemente exóticas, ou então em graça irônica de quem habita as grades as escolheu por livre e espontânea vontade. Manifestações documentais, porque publicações, só nos objetivos de tão somente vender, faturar; tornando-se ao possível um best-seller de mercado. O preso coisa-imagem de consumo, de alto consumo. Livros por vezes, na face do discurso com forças vendáveis a enternecer e espalhar-se, por tintas finais envolventes de um humanismo enganador de mercadoria falsa. Cada unidade prisional qual fábrica de chocolate amargo, tornado doce comestível aos olhos pelos invólucros que o vendem.

Assim o de hoje ainda é mais profundo, com certeza num amanhã com saudades dele, como nos alertou já um preso. Pois que a dinâmica perversa parece ter pressa, cada vez mais pressa.

Não temos ares e nunca teremos de mexer ou mudar, mesmo que só num grãozito, a predestinação do mundo que somos nós. Não temos as ganâncias de deuses. A conversa simples boca-a-boca tantas vezes nos basta, totalmente nos atém. Desnudar o escondido pelas verdades e muros de fora, para sempre a nossa intenção. Lembro-me incansável, que fugir, libertar-se, é destruir preconceitos e olhares estrábicos. Nesse nosso sincero sobre as realidades intra-muros, colocadas pelos poderes aos secretos, mostrá-las, desanuviá-las pelo menos, para a grande população de fora. Romper o conceito assentado perverso do nome bandido. Ele já a grande prisão, repetimos.

E pensarmos quem sabe cá fora, que não estamos também tão livres assim. Que o de lá foi antes também um de cá. Que um fora maquina industrialmente já e produz o de dentro. E se assim o faz, os componentes de um preso, qualquer um, nascem nos entremeios, furores e dinâmicas da liberdade. Com a legalidade abocanhadora delineando novas delinquências. Notar e saber aqui, que quanto mais leis mais infrações. Quanto mais juízes mais réus. E que no atual progressivo nosso, quanto mais polícias e armas mais mortes. E nessa lógica edifícios jurídicos sobem aos céus, com seus ouros, acumulações e seus muitos dinheiros.

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