
Me corrigem o tempo todo na minha fala indecisa e caipira, esta tida tacanha. Não consigo dizer como querem que eu diga os nomes e sobrenomes, mais pré-nomes e todos os nomes que tais estranhos, e que me embaraçam de todo. Falo o meu português por eles ou eles pelo meu português, que todos se negam a aceitar, me pondo um bebê balbuciante aprendiz ou reles analfabeto de fala. Mirando bem nunca sei falar os tais nomes estranhos. E não sei porque teimo em só ser na minha pátria língua, a portuguesa. Pois há um estrangeirismo pedante nas cabeças, que forte vigora. Um estrangeiro que não me compete, nunca me competiu e nunca me competirá. Esta dita correção de um outro idioma sobre o nosso daqui na hora da fala, está entre os indivíduos e neles mesmos, como um professor pronto a corrigir. Corrigir quem não sabe pronunciar um excelente inglês no conforme dos americanos do norte, matando a nossa identidade com um som de negação. Eu não me falo, me falo pelo outro, querendo ser esse outro, como esse outro, matando-me no meu próprio eu. Vamos talvez além.
O de antes ainda me diz um estranho inusitado. Mesmo os indivíduos de baixa alfabetização e cultura, quase sem elas, estão prontos a corrigir-me no meu inglês aportuguesado; tenho que falar pelo de fora, feito o de fora. Mas adentremos um pouco mais. Emigrantes brasileiros de qualquer espécie, vencidas as incertezas, e os altos perigos da viagem e da entrada clandestina à busca de trabalho e de dólares, quando chegam nas terras do tio Sam já se põem e já se querem outro. Um olhar antes caipira ou vencido pela miséria da origem, ao postar-se no primeiro self pela internet vinda de lá, vê-se sem volta vencedor e superior, eu não sou mais daí. E assim tenta negar o tempo todo o seu país, a cultura que foi com ele, ele mesmo. Buscando dessa forma um suicídio imorredouro, não serei mais brasileiro. Mas voltemos ao nosso aqui de dentro. A correção estrangeira, anti-linguística, anti-identidade, que outorga plenos corretores de plantão, me coloca a pensar num engano de eu ou de fuga, se mentindo ser mais eu pelo outro, nunca por ele mesmo; ignorando, menosprezando o que ele é.
Lembrete do autor:
Toda e qualquer boca, respeitadas as indecisões, sabe falar pleno o que inventamos e usamos para nos unir: o idioma nacional.



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