
Professores sem pensamento copiam do livro didático do governo o que lecionam aos alunos. Novas tecnologias do saber, me repassam alguns. Penitenciárias com implantação de avançados compartimentos, cada vez mais aprisionantes, são construídas e inauguradas. As longas distâncias das prisões dos espaços urbanos, fazem parte das higiênicas muralhas sociais. Entre a sala de aula e a cela muita coisa ou pouca coisa se põe, talvez quase nada ou nada. Há uma dupla destinação certeira e infalível, a escola ou a prisão. Enquanto aprimoram cada vez mais um não-saber como grande saber na escola, engenharias prisionais avançam. Duas frentes de condicionamento, uma pelo corpo a outra pela mente. Bitola-se o magistério ao menor grau do conhecimento, as muralhas avançam; tanto as da escola quanto as da cadeia. São formações nacionais.
Desejávamos escrever um texto comparativo entre a prisão e a escola; o negativo daquela e o positivo desta. Mas o gesto não nos permitiu mostrando-nos uma cegueira. O que nos levou a outra ideia exposta a seguir. Ora, se descobrimos que a ignorância escolar está justa de mãos dadas com as grandes engenharias penitenciárias, descobrimos também que um verdadeiro aprendizado com produção de conhecimento, está abraçado solidário com a eliminação das muralhas, as da mente na sala de aula e as dos corpos nos campus penitenciários. Existe duplo caminho com um único destino, mas que pode ser único com dupla face visível; a escola aprisionante e a prisão pedagogizante, que domesticam, que podam, que atrofiam. Neste horizonte de bruta função não há o que escolher de melhor ou de pior. A igualdade existe.



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