Até quem está aqui fora e nem quase pensou em cadeia, sabe que ela é eminentemente negra. Este saber vem pela natureza do nosso social, todo negro antes é o mais suspeito. Ao pouco e quase nada que sei da escravidão brasileira, o mais básico é que preto não tinha alma. E que hoje ainda temos fortes resquícios sutis disso. Meus anos de encarceramento, me impuseram a certeira conclusão, de que os primeiros a inaugurar nossas grades foram os negros. Pois qualquer mínima insubordinação escrava era uma fortíssima delinquência, portanto ação bandida. Só que também o que se prendia não era gente, pessoas, já que antes e por tudo não tinham alma. E a filosofia sempre me mostrou que não ter alma não é ser humano.

Assim, por lógica e ética da nossa história, a natureza das nossas prisões não poderia ser outra. Num tratamento de mascaramento de um social gente, mas que no âmago empurra o pior.

Hoje a cadeia guarda brancos e negros, igualados numa mesma estirpe, a dos imprestáveis e sujos. Porque todos têm a mesma origem de lugar. Entre nossas celas cheias e as antigas senzalas toda igualdade se põe. O ajuntamento, o chicote e a eterna surdez da casa grande.

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