Existe um intelectualismo assassino, cúmplice, conivente com o executor.

Podem me apagar da vida a qualquer momento; o medo avisava por eu estar em desconforme da lei. Preso ou bandido não pode nunca ser pessoa; quem está atrás das grades é outra coisa. E eu também nunca me opus a isto; para quê. Ir contra ou a favor da cantilena do Estado é a mesma coisa. Então o nosso fazer estava centrado em nos sentirmos ali. Pois ao dizermos que alguém é pessoa, estamos no mesmo falatório de quem pode negá-la. Mais bandidos do que o Estado que nos mata ao desconhecer-nos, o discurso oficial, disciplinar, ordeiro e de justiça não era menosprezado porque nem existia para nós. Conseguíamos uma ação e intenção puras só nossas, nascidas de nós. O social nos construía, enformava. E este nascedouro nunca podemos deixar de sê-lo.

No tranco mas já aqui fora livre, voz alertou-me forte de que a ordem pública do Estado pode matar-me quando quiser, e colocar a culpa bem comprovada pelo jurídico em algum do povo com ficha prisional; que na história a democracia sempre realizou. O pecado é do outro chamado plebe não meu. E nosso pecado nas prisões era o de sermos nosso social em nós e por nós. De nunca acreditarmos ou termos fé no que vem de cima, mesmo que comprovado de Deus, e muito mais também por isto, este sagrado descomunhante classista; o Criador chega do alto para os de baixo. E realizar um social tanto dentro das prisões como fora delas, sem a invenção e o beneplácito estatais, torna qualquer um inimigo da nobreza santa; assim digno em justa dose da pena capital.

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