Para Sandro do ônibus 174 sempre. Na eterna memória.

Houve um baque na minha internet; ao ligá-la, num susto, os números de acesso ao blog desconjuntaram e subiram de vez, às estratosferas. Na indagação, fiquei meio que bolado pelo crescente dos números. Mais, algo acontecera ou acontecia e meus olhos não sabiam. Ao sair, no descortinado das ruas o objeto começou a se mostrar. Manchetes diziam dos ataques públicos do crime pelos lados do Norte brasileiro. Estávamos assim pela segunda vez. A primeira quem sabe ninguém nos ouviu, ou fingiram um não.

Na tabacaria, os olhares pequeno-burgueses chegaram com leves indagações fracas e inconsistentes. Mas houve assim um abalo. Sem grandes gritos, por dentro comecei a mexer-me; algo então começara. Esperei vários dias para escrever, a pensar mais sobre o nosso conflito, melhor, nosso inferno. Percebo que há uma grande consciência a ser despertada; de que nós do crime não estamos sós; que fora das nossas grades as penitenciárias também vicejam. Mas não nos apressemos, falta-nos muito.

Alguém burguês na tabacaria, segredou-me duas vezes alegremente: o que seria, se todo o banditismo brasileiro se juntasse. Pontas do Grande Espírito. Nosso grito só pode vir no desconcerto do abalo. Os analfabetos enxergam e falam; porque os letrados possuem, estão, nos seus cercados de saberes. Aos poucos, mesmo que em carceragens tão distantes e diferentes, eis que nos começamos talvez a nos ver. Como em quando nas grades de Gericinó, eu conversava sozinho com todo o coletivo; cúmplices, em nossa irmandade espiritual. Intensamente mais bandidos por isso; no contrapé da comunhão implantada.

Possuímos uma Dor e uma Prisão históricas. Que só os valentes e destemidos sabem distinguir, aos que se jogam no grande perigo da vida e da morte dizendo. Nós estamos muito mal assim, por aqui; vamos então mudar. Não temos medo de polícia; fugimos acertados das covardias; de mortalmente feridos, não ao menos gritar. Nossos sangues nos acompanham.

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