Se alguém é tratado com violência; esse alguém vai nos responder com o quê? Com carinho?

Estamos já numa taxa de ocupação prisional superior a 200%. E isto quer dizer e diz, que para cada 100 vagas nas carceragens brasileiras dispomos de mais de 200 ocupantes; ou seja, internos, bandidos, presos ou que nome queiramos lhes dar. O que este amontoamento é e produz, já citado em outras crônicas, certamente ainda não é ou não seja o grande objeto da arquitetura. Adiante diremos por quê.

Construir mais prisões já até se tornou um bem. Diante de tamanha necessidade, por que não dizer procura, temos que ofertar mais celas, mais carceragens escuras. Criamos entre nós a cultura e a economia de mais prisões, num grau igual de mais escolas e assim mais saber, mais cuidar. Os infernos igualados a céus. Mas ambos, céu e inferno, são o mesmo. Existe um antes criador e ofertador. Meninos e meninas agora ainda não sabentes, no futuro já acertado pelo mundo disposto, entrarão acomodados e seguros pelas grades já lhes destinadas. Sem escapatória de fuga. Porque esta sem nenhuma chance de acontecer. Estão no mundo que lhes convém. A grande plateia em volta talvez ri, ou bate palmas. Quem mandou ser o que são, na grande sentença ignara. O mundo é este porque nosso mundo só pode ser este, argamassam.

A cultura e a necessidade do prédio-prisão estão assim implantadas, numa via de bem. E junto toda estrutura de montagem como numa grande fábrica de automóveis. A indústria. Desde a preparação primordial dos corpos, passando pelas linhas de montagem, as grades, até o ex-interno ou bandido pronto. As reinserções sociais ajustamentos de uso. Mas um corpo pode obrigatório passar várias vezes pela fábrica-prisão para se aprimorar, se atualizar, mesmo até numa simples pintura nova.

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