A Vida me quis e me fez trabalhador-bandido, num mundo de alta carceragem.

Se meus pés ainda voltarem para a prisão, visarei somente uma coisa: nos organizarmos cada vez mais. Antes e tudo somarmos sempre nossas forças dentro das grades. Ao ponto de guardas temerem alas e celas muito silenciosas, como se nelas estivessem felinos perigosos; ou então se amedrontarem por uma risada explosiva e alta, vinda de alguma galeria já temerosa. Mas também e muito, nós presos e portanto apenados, sabermos e entendermos cada vez mais, em reflexões sérias e profundas, de que aonde estamos, a prisão, não passa de uma extensão marcada, um quadrado amuralhado do que já é anteriormente lá fora. Repito: nós presos não viemos de Marte. Portanto, a descoberta e a certeza de que nosso social geral – ( é isto um social? um socius? ) -, é também social torturante penitenciário. Que todo trabalhador, e assim já por ser trabalhador, está acorrentado e condenado na máquina sempre insaciável de produção. Quem berra contrários do trabalhador para o bandido, é o discurso verdadeiro da mentira. “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, filme italiano proibido por aqui, mostra muito bem isto, este inferno travestido, travecado, de “liberdade” e “felicidade”.

Então, usarmos o campo inimigo, nesse caso as prisões, para aprofundarmos saberes, e assim nos fortalecermos cada vez mais. O pensamento sempre fonte de novos mundos. Se nos põem ervas daninhas, bandidos, seremos mais, e avançaremos sobre as lavouras inimigas, destruindo-as.

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