A pistola nossa de todos os dias.

O bicho agora tá só pegando e só vai pegar.

Cidade total sirenada por nossos avanços na guerra. Orson Welles avisou-nos, vendo as antigas favelas a crescer, de que no futuro próximo o bicho iria muito pegar; assim como Darcy Ribeiro gritou-nos das carnificinas no horizonte, pelos modos de caminhar da república brasileira. E hoje enfim estamos o que estamos e estamos assim. E não tem mais escapar, é tiro no tiro mais tiro só no tiro e muito amém. Me digo me repito de não sei mais quantas vezes: quem morreu morreu. Teremos sempre saudades de um ontem menos assassino ad infinitum, ao infinito. Às armas às armas; às mortes às mortes. Quem quebrou quebrou, quem tombou tombou. Guerras aumentam neuroses; como palavrórios medrosos e já quase insanos num ônibus noturno; de que menores vão nos atacar e levar nossos celulares amados e prestimosos, que ninguém pode mais viver sem um. E vamos que vamos balas e balas. No instante deste escrever as sirenadas alertas de polícia me apitam, me avisam, de que somos em guerra. Reativamos na rua e em qualquer lugar e momento a fuga hominídea para nos salvarmos de quem nos caça: predadores de todas as formas e cores; como nas matas ancestrais primevas. O lobo do homem está cada vez mais lobo.

Post scriptum, escrito depois:

Na tirania, no assassinato legalizado, o estado brasileiro já está matando os suspeitos e os não suspeitos.

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