Em memória de Elias Canetti

Habita compacta grandes construções, as prisões ou penitenciárias. Os indivíduos que a compõem, chegam nela por uma determinação jurídica de aprisionamento. A permanência como elemento ou um dos integrantes da massa, varia conforme as condenações individuais. Existe uma característica comum a todos, o cumprimento de uma sentença ou sentenças criminais. A quantidade e a realidade da massa difere de país para país, às vezes muito. Morar e só viver em grupo a grande condição geral. O preso, grão ou unidade da massa, é um objeto manipulável pelos guardas seguindo rotinas de segurança. Por ele se encontrar obrigatório confinado em espaço coletivo, as intimidades são e ficam alteradas. Banhos e defecações são quase sempre em grupo. Cada indivíduo está num meio de estranhos, com origens diferentes da dele. A vida é apertada entre quatro paredes, sem janelas e sem portas, não tem rua nem calçada. Só se vive aonde se mora. Acostumar-se ou suportar o mesmo pequeno espaço é o real de vida de cada um, e assim da massa inteira. Arrumada sentada num chão de pátio só de cuecas, a massa submissa possui uma formação de fiel obediência; guardas fortemente armados vigiam. O aumento ou a diminuição da massa tem a ver com negatividade e positividade. É a massa socialmente mais indesejada, geralmente alojada em lugares isolados e distantes. Massa aqui significa grupo ou multidão de indivíduos com a mesma realidade social, neste caso de condenados. O espaço prisional é um constante coletivo, ou seja, agrupamento de indivíduos sem nenhum descanso. Histórias de apertos e situações extremas foram ouvidas. Num cubículo pequeno todos dormem em valete, costas com costas e pés com cabeça. Num outro a massa se compacta mais ainda, com indivíduos dormindo em pé, amparados pelos sovacos por lençóis amarrados no teto. Casos de espaços tão minúsculos de ficarem só em pé, com uns poucos sentando em rodízios. Para a segurança prisional a massa carcerária não tem vontade, só obediência.

Em necessidades ou situações de segurança, a massa carcerária é transferida de prisão. O substantivo pessoa é evitado e até censurado pelo poder, para nomear e qualificar quem está em carceragem; eles não são pessoas. A rotina da prisão é quem instrui e determina toda e qualquer condição de vida na massa. A muralha estabelece o território. O poder, pela ordem e burocracia, executa o sentenciado de cada um, e assim da massa total.

A massa carcerária pode se tornar perigosa, até muito amedrontadora. Saber manipular os elementos dela é a grande artimanha do poder. Conforme o caso confinar num único espaço, ou separá-los distantes e incomunicáveis. Relações encarceradas podem produzir coisas e situações fora de controle, como às vezes produzem.

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