Meu pé já quase alcançava a Rio Branco pela ponta da São José*. Eis que direto a mim sem aviso mão me esticava um cigarro. O brusco fez agressivos mas não me assustou. Em bate-volta recusei o esticado cigarro. O rosto que vi disse o anormal de si mesmo e puxou muita coisa, que me pôs a soletrar.

Depois já longe da mão e do cigarro à espera do ônibus, eu e um rapazola. Dois no tempo e no silêncio da noite. “Passa rápido o celular”*! Com mão em forma de arma em ponto de tiro, gestos e rosto agressivos, o negro violento exigia ao rapaz. Pus-me em guarda de segurança e alerta. O assustado rapaz tremia sem cor não sabendo o que fazer. Balbuciava retraído de não ter um celular. Para amenizar mostrava um dinheiro na mão. Em repentino como chegou, o assaltante desarmou a arma do indicador apontando e sem pegar nada sumiu. A esfriar o clima que ficou e instruir, eu disse ao ainda atônito jovem, que quando assim acontecesse sem arma verdadeira não entregasse nada. Meu ônibus de embarque chegou e eu também me fui.

A caminho na viagem completei-me. A mão do cigarro de antes fora a mesma da arma, a cor me marcara. A acertar-me costurei pensativo pedaços fazendo história, que contaria ao rapaz. Que a mesma mão em arma já estivera comigo só que ofertando um cigarro, mas também à frente como em ataque de assalto. Que recusei o tal cigarro e não aconteceu nada. Nos mostraria a eu e a ele, que perto bem dali noites antes, o mesmo atlético braço com a mão em pistola, no choque de ver três polícias fardados atirou em série exclamando mortes raivoso. Ao que os três alvos polícias desataram a rir, mostrando saber da loucura que os atacava sem perigo. “Ele quer morrer!” Exclamou mulher que vira tudo. “Negro e fazendo aquilo.” Completou.

A imaginar um ponto de luz clareador, disse-me e também ao jovem do ponto, que a insânia agressiva em forma de assalto e de guerra, vinha da própria história de vida de quem havíamos conhecido naquela noite.

Notas:

Avenida Rio Branco e Rua São José, vias urbanas da Cidade do Rio de Janeiro.

Celular, telefone móvel no Brasil.

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