Toda nossa epopeia prisional de entrar e sair, ir e voltar como Ulisses, necessita de nós mesmos alguma decifração. A começar que tudo foi memorizado sem quase data de calendário e sem planejamento de onde ir. Nosso fim era só o de chegarmos de onde partimos, nós mesmos. Cada prisioneiro no turbilhão das ondas em constante perigo junto. O mar sempre revolto. A prisão fixa mexia-se sem parar, às vezes no pico de altas ondas. Acontecia de mares serenos, mas nossas águas eram profundas; mesmo que rasas, desconhecidas. Cada liberdade que sai um Ulisses que volta. Sempre navegando. Há um porto de chegada. Nossos remos nunca se cansam, nunca hão de cansar.

Trabalho feito de memória. Cada crônica que sai um episódio vivido. Somos vida e o nosso próprio mar. Quando à deriva nos damos mais as mãos. Cuidamos de ninguém afundar. Algum náufrago soçobra, mas a grande nau continua em riste. Lutamos contra grandes ventos e temporais da lida.

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