A população cria violência contra si mesma. Está corrente que prisão é uma fábrica do mal. Fábrica do mal fomentada pelo próprio Estado com grandes interesses e lucros no agora e no depois. Explico. Ao jogar e manter todo e qualquer preso em péssimas ou as mais piores condições possíveis, incita-se e fermenta-se reações. Então é produtivo e altamente produtivo, que cada indivíduo saia livre de volta ao mundo mais bandido; bandido aqui sinônimo de ruim, do perverso, do mal. Porque quanto mais o poder público põe de volta ao mundo a violência fomentada, e pronta para agir nos corpos que saem libertos das prisões, mais as estruturas e instituições do poder terão justificativas perenes e ditas justas para subir morros, agredir pessoas, violentar casas e famílias e no fim muito matar. Cria-se estratégias no conforme e assim a razão da lei e da justiça. Combatemos o mal, prova então a ordem acionada do Estado.

Também tão importante notar, como as agências públicas e privadas da informação circulam os conceitos de Bem e do Mal. Não nos cabe aqui dizer o que seja um e outro, mas frisarmos muito, de que para o Estado Bem é tudo o que sai de si, mesmo que seja a morte, e Mal tudo o que vai em contrário a ele, a ordem pública assentada, mesmo que seja vida. O legal e o ilegal determinam tudo. Está na lei é bom, não está é ruim. Ainda mais, nossas casas legislativas em todas as esferas, grandes e infinitas produtoras de calhamaços do que se pode e do que não, se autocobrem de flores e lauréis como fontes de felicidade e proteção.

Mas voltando à produção bandida. Depois que o Estado brasileiro se firmou nisso, de produzir cada vez mais o mal para justificar combatê-lo no tiro e na morte, é capital que ele não perca esse intinerário, essa linha do trem. De um lado vomitando violência e de outro catequizando a nação para degustá-la.

Um fim contrário depois do fim. Nosso universo carcerário brasileiro, hoje o terceiro maior do mundo em população, obviamente tem um custo pesado e quem paga esse preço é o povo via impostos. Mas ao mesmo tempo que paga o nosso custo penal, o homem comum concorda e apoia não só com a manutenção desse alto custo, como também do seu aumento em mais prisões e intensidades maiores nos castigos físicos e sociais no preso. Isto fica e está bem claro na ideia circulante geral no povo, de que prisões têm que ser o pior dos mundos possíveis e mais possíveis, retroalimentando a própria violência que o castiga e o mata.

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