Ouço risada sarcástica por saberem que escrevo à mão. Sem responder digo a mim mesmo qualquer coisa de quase nenhum sentido; como se o sarcasmo manifesto não me valesse. Ao pé da letra da mão sinto-me não solto porém senhor de mim. Ela vai ou não vai aonde meu desejo mandar. Tem suas negações e objetos de quereres seus. Mas por ela aonde agarro o mundo e me agarro também.

Meus olhos se encantam com as alheias. Cada mão nos infinitos dela possui movimentos únicos. Neles e por eles faz o seu ganho de mundo. As pessoas que me atacaram nunca me estenderam a mão. Agora, se estendida aconchegante, o selamento de um pacto entre dois. Quem se gosta e se amantes andam e vivem de mãos dadas. O primeiro estouro sexual ainda menino, foi com a mão de uma moça que recebeu a minha. O corpo reverberou prazeroso num lampejo só; marcado como a ferros por aquela sediciosa mão. Alguns alcances, lugares aonde ela pode chegar e chega, são vistos só às vezes depois pelo próprio dono dela. Não sei se esta afirmação “o dono da mão” é verdadeira. Alguém já me disse, não sei por qual mão, que a mão tem vida própria.

Ao escolher a mão e não os meios digitais eletrônicos ao estar a escrever, talvez até não seja meu de cabeça. Ela se impôs; e se impõe. É comigo ou com ninguém, diz minha mão. Posso andando ir além depois de mim levado à letra que só ela faz. Vou a meus recônditos por dentro e fora da roupa, conduzido por quem me escreve e, escreve. Colocando-me a dúvidas se sou eu ou ela a realizar. Não existe mão morta; algumas se fazem em outros latentes. O estar aqui são dedos e palma que me pegam, e me mostram.

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