Já colocamos alhures, bem alhures talvez, a expansão penitenciária nossa. Mais presídios. Ela feita, no jogo perpétuo de aumentar vagas, alardeando aos quatro ventos preocupações sinceras para com melhores condições de vida ao preso. Na base desse jogo, estão os interesses e as políticas nacionais de mais aprisionamento da população. Os números de lotação, a multidão encarcerada, indubitavelmente só crescem. Feitos mesmo só para isto, para crescerem. Tudo no movimento do bem-estar, tanto da massa dos encarcerados quanto a de fora das grades, os chamados livres.

Pergunto-me sempre me repetindo, por que alguém flagrado com um punhado de maconha no bolso, ou preso por um roubo barato, tem obrigatoriamente que parar no sistema carcerário. Ou seja, dentro de uma cela. Com enorme despesa pública e, pior, condenado por uma ficha jurídica a nunca mais poder sair, tornando-se um delinquente crônico. Por isso e também por mais na grande máquina das condenações, o cada vez maior inchaço de corpos nas carceragens brasileiras.

Dentro do jogo dos encarceramentos, realizando dominações como nos diz Foucault, estão também os interesses políticos-econômicos: a mina com novos veios, no aumento das unidades prisionais brasileiras. Então, na vontade de mais dinheiro os caminhos e objetivos já estão traçados. Criando-se assim um aumento de carga tributária à população. Ela já numa condenação histórica, pois o de fora paga em impostos pelo de dentro, e ainda agora em expansão; no lance sempre à frente, de luta dos poderes pelo bem-estar nacional. Talvez tudo não pudesse ser melhor; só para eles, como já nos lembrou alguém.

E para que todo esse mundo exista, num interminável, há que se aumentar a massa em oferta às grades. Lá na frente, no intuito de que essa oferta esteja sempre em sobejo muito intenso como agora, há que se expandir o universo da delinquência criminalizando mais. Então no quintal dos costumes ir criando brechas, em nome da moral e da higiene, e implantando cada vez mais leis. Algumas delas a nosso ver esdrúxulas e muito cômicas. Numa expansão portentosa do nosso edifício jurídico. A justiça com isso cada vez mais presente. Quero dizer perversamente presente.

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Nota final do autor: nessa ordem, nossos descendentes, filhos e netos, serão os encarcerados de amanhã.

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