Notamos nalgum tempo uma coisa; e vamos buscar dizê-la. À medida que aos poucos, talvez de forma incipiente ainda, o sistema carcerário começou a dar sinais e a conceber gestos da sua gigante expansão, a qual nos encontramos agora, eles não vieram sozinhos. Ou seja, a explosão das grades surgiu no interior ou junto de outros crescimentos. Assim, observamos sobretudo o inchaço da legalidade, tornando-se ela a base principal do bem social. A mudança, meio que brusca, dos já baixos níveis educacionais ainda para pior, principalmente nos estratos mais pobres. Hoje, a realidade do magistério público e privado das escolas do povo, encontra-se num certo analfabetismo mero copiador de livros didáticos. Junto com a legalidade já mencionada, certamente objeto principal dela, um recrudescimento cada vez maior da repressão via proibição. A intensidade do sentimento de culpa direcionada à população deu e dá passos largos. Espaços religiosos brotam contínuos e mais castigadores. Os modos mentirosos de vida, em consumos-só-propaganda e interdições às vezes contraditórias, mortais, são o norte do bem viver. Capas falsas ou enganosas de direcionamentos salutares mascaram.

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Durante todo nosso processo de vivência nas cadeias e também fora delas, fomos e somos não à toa e sem sentido, um reles presidiário comum. Certos momentos passei e passo por oscilações social e de personalidade. Preso ou não preso, repetindo Hamlet, eis a questão. Vemos e sentimos como estamos aprisionados num “mundo livre”. As prisões são também outras coisas…

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