Político ladrão bom é político morto.

Nunca fumei ou cheirei, a não ser os intragáveis e vagabundos cigarros da superfaturada cantina da prisão. Os viciados em qualquer coisa me entenderão. Hoje ainda na condicional bebo água da Escócia chamada de uísque; todo dia tenho que ter três tragos, três copitos; que me aliviam e me conduzem nos dias. Fora isso uma cachacinha ou cerveja de vez em quando. Pulemos meus horrores e céus. No espaço obrigatório do cumprimento da lei, por falta de luz, do sentimento do nascer e do ocaso do sol, tínhamos sensações infernais de que nada passava, de que estávamos numa tábua lisa sem novidades. Não se nascia nem se morria, sem vida. Por ocasiões surgiam pequenos estouros em forma de miúdas vontades, talvez tentativas de viver ou de renascer. Quando alguma coisa nos distraía era um oásis. Os fumos e os pós nos elevavam, nos escondiam de nós mesmos. Alguns, nas viagens de carreirinhas batidas ou fumaças se sentiam até fora das muralhas; sentimentos de infância apareciam. Mas o nosso assunto aqui seria outro. Assim como sempre me incomodou, me perturbou, o fato de deputados fumarem e cheirarem na guarda dos seus gabinetes altas maconhas e cocaínas, e nunca serem taxados disso ou daquilo. A lei como sistema de proteção. Deixemos de picuinhas de preso ressentido. Já que na necessidade não pode haver a ação da lei, como em alguém faminto que tirou um pão de quem os tem, então clarear de fato a necessidade do político e a do penitenciário, ambos consumidores dos mesmos produtos.

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