Mulheres em poses de briga e ataque, umas doze. No meio delas já sitiadas duas metralhadoras silenciosas inúteis. A dupla soldadesca que as empunham, quietos olham para o contrassenso humano do combate, num reconhecimento do erro. A boca da cena não é qualquer boca, boca de favela. O irresolvido momento pergunta quem se mexerá primeiro. Estamos aqui ao enfrento mostram as saias. Que resolutas bloqueiam o avanço inimigo. As fortalezas fêmeas da luta estão ali, mais tenazes do que muitos fuzis. Embarreiram na força da vida a ordem que veio para matar; aqui vocês não sobem aqui vocês não entram. Imóveis dois lados se desafiam, se medem, calculam, se enfrentam. Esta batalha nunca sairá em jornal.

Do olho ao espírito. Toda vez ao passar, num segundo me volto ao campo do enfrentamento já dito das mães com os polícias. Rua São Luiz, me diz a plaquinha amarela ao pé da escada que sobe em santuário. Nela parece que não tem ninguém mas todos estão por ali, na guarda secreta e eterna vigília. O bar fuleiro na boca da subida pode e deve avisar, qual torre gigante de fortaleza em olho e aguço de vigia. Ao satélite pelo digitar dos telefones celulares, os alertas comunicam quando o inimigo governo em tropas violentas vem nos matar. Os estreitos dos acessos, nos favorecem como gargantas em montanhas para nossos ataques às fardas que vêm, eles polícia não podem jamais subir. Cada vida deve assim avisar, inclusive cachorro ou galo a cantar. Movimentos estranhos e pessoas de fora alertam. A comunidade se ajunta sem lerdeza nem prece, sem qualquer de arranjo para não atrasar o agir. Tudo já está quadrilhado antes, pela vida. “Tamo junto e misturado”, clareia o mote total. Um passarinho que voa sinaliza um ataque pelo céu, em aéreos de polícia; ou em late late, um cachorro avisar de intrusos num ermo de fronteira qualquer. Depois de sonhar com enxurrada de água muito suja e podre, boca de mulher vaticinou ocupação polícia, tiros e muitas mortes. Na calada da noite muitos olhos nem dormem mais, a escutar miúdos e alaridos; o estranho e mortal pode estar a chegar em inesperado qualquer, ele só vem a nos matar. Por noite de mais calor, criança chorona alertou invasão de polícia no escondido escuro da madrugada. Rolou por compartilhe em nosso morro favelar, que jovem bonita preferiu abortar, do que destinar seu fofo neném ao fuzilamento do tiro polícia antes mesmo dele nascer. Grávidas são alvos de luxo; podem ao acerto mortal do tiro valer elogios e promoções no quartel; certamente pelo abate de algo de vida que ainda vem, e nunca se sabe. Melhor assim destruir antes mesmo de vir à luz, no olhar social do governo.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *