
Não conquistamos ainda nem um lugar de cagar direito, de soltar o barro. Metade das nossas bundas não tem latrina para fazer o que vieram ao mundo realizar; além de sentar e outros prazeres mais prazerosos e íntimos. Então fazemos, mesmo nas cidades, aonde nossa parte saliente e fofa de baixo dá para se acocorar e esvaziar intestinos cheios. Nós meninos do mato e muito vadios, na vontade da hora de fazer cocô, deixávamos nossa massa intestina fecal a céu aberto, com a fidelidade dos fedores do que comíamos, e na conformidade dos humores internos, podendo sair pastosa como sorvete ou mole feito vitamina de abacate; quase sempre mesclada com cascas de feijão preto mais ocasionais lombrigas. Evitávamos fazer ou soltar nos caminhos por onde nossos pés descalços iriam pisar, na precaução de não termos solas e calcanhares lambrecados de bosta. Esta que por vezes formava enorme disco mole no chão feito pé de moleque, um doce de amendoim que adorávamos tanto. A arte fecal feita no chão logo enchia de moscas sugadoras vorazes, na disputa dos sabores. Parecia que escondidas nas folhas e à espera, ansiavam famintas por um ânus cheio e doido para se esvaziar. Nos limpávamos com o mais próximo e útil à mão, gravetos do chão ou folhas verdes, depois do necessário feito. Dos gravetos e folhas até chegarmos ao papel higiênico, passamos pelos usos de papel de embrulho usado e muito jornal velho. Lá em casa, num certo espaço de muito tempo não tínhamos privada no quintal. Mais difícil era para as mulheres e seus recatos. Já fui pego por vizinha, eu menino grande, num vergonhoso momento do natural, cagando.
Vivemos em cidades sem latrinas públicas. Por vezes me vem à cabeça onde tanta gente junta se alivia nos apertos dolorosos e brabos. O relógio da barriga é outro; que sem aviso prévio nos intima um aonde rápido. Materiais pastosos repugnantes nas calçadas das ruas, muitas vezes são encontrados até junto do teatro municipal, lugar chique de óperas e sinfonias. Todo animal engole e expele, o homem um deles. Mas deixemos por hora os perfumes ou fedores; dependendo do nariz de quem os cheira, podendo ser o próprio autor da merda feita.
Banheiros brasileiros coletivos ditam ordens de aviso: não jogue papel no vaso sanitário ou no chão; não urine fora do vaso; dê a descarga depois de usar. São lembretes de civilização; nisso ainda estamos muito selvagens. Aos poucos, banheiros de bares, restaurantes e tais, de uso legal gratuito e livre, estão virando negócio de lucro. Se você tem algum no bolso pode cagar ou mijar; se não, vai no mato mesmo ou canto de muro, se vira; mas não cague por aqui. Nas estações de trens urbanos sem banheiros e com multidões, o sistema sonoro de avisos nos proíbe fazer o natural necessário na linha férrea, abrigados pelos muros. Quem estiver na vontade e nos apertos que se tranque por baixo, e faça no trabalho ou em casa. Contrassenso de proibição do inevitável gesto, tão antigo e universal quanto o de comer. Cus, tripas e bexigas que se explodam!



Deixe uma resposta
Want to join the discussion?Feel free to contribute!