Anexo de uma carta a Chanut.

Roubo logo existo.

Sou escritor ladrão, afano ideias da boca dos homens.

Seleciono o que me entra pelos ouvidos qual periculoso avaliador.

Por vezes boca desdentada e suja me presenteia com diamante saber.

Sempre à espreita mesmo que distraído. A repressão ao pensamento também pode chegar.

Deixo sempre a vítima ser o que ela é ou imagina ao falar. Todos nós aspiramos brilhar mesmo por um obscuro e ignorado segundo.

Procuro provocando pelos contrários, emanando uma certa dúvida ou ignorância, na prospecção de saberes. Necessito deles para escrever, ser escritor; antes de tudo também para pensar e assim existir. Penso então vivo.

Aprendi a roubar superior na prisão com meus amigos do crime. Dez anos de apartado estudo nas grades e muita reflexão.

Enorme ignorância vociferada pode me fazer descobrir valiosa ideia pepita.

Cogito no mundo do crime.

Me cartesiano no corpo e na alma ao enxergar com as mãos.

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