Também em nome de Deus?

O inimigo polícia nos olha e vê como os atuais americanos do norte fazem com os árabes. Assim, todas as nossas criancinhas e demais carnes do nosso hoje e amanhã, já nascem e nascerão sob a luz da vontade de defender e de matar, e do alto risco de perecer pelas mãos da polícia. Quem sabe já está se nascendo então em nós da favela, uma forte raiz alimentar da vingança e da guerra; quem sabe então toda uma ontogenia beligerante nos morros habitados. Certa face da população nossa favelar, por lógica das pulsões e seus destinos, já brota e cresce por dentro das linhas e campos de batalha: matar ou morrer. Vai-se até tomando um gosto, muito gosto; conforme um soldado na guerra, que só ainda respira pelo alimento de apertar bem certeiro o gatilho, e gozar prazeroso vendo o corpo inimigo se estrebuchar pelo chão. Isto, no contrário tenebroso do por que e por quem nos matamos tanto. Parar o coração do outro é como um troféu a mais, feito os selvagens que colecionavam crânios e outros ossos dos corpos inimigos, em joias de alto valor simbólico penduradas pelo corpo. Talvez uma hora também eles polícias comam criancinhas de berço cozidas e cruas, iguais os antigos cruzados cristãos, em campanhas de guerra religiosa contra os mouros na época medieval. Tudo e tudo por abater e ganhar. De nós favelados moradores viventes, nossos sangues cada vez mais se acumulam valentes. No amanhã e depois de amanhã brotaremos cada vez bem mais mortais, pois é desígnio de todo sangue pulsar, lutar e assim viver. Iremos e estamos nos formando uma nova e potente raça de vida. Todos os morros só eles já como um outro país.

P.S.: Às vezes, depois de publicar uma coisa como esta eu choro um pouco; quem sabe pelos mortos que ainda virão.

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