Os efeitos dos muros penitenciários, embora ainda neles mesmos, estão também fora dos muros, em outras formas de muros, isto é, em outros muros. Ao sentir-me fora da prisão, de uma certa maneira eu ainda me encontro nela ao percebê-la, mesmo que só como ameaça, o que já é uma forma de presença. Pois o sentimento do fora já me presentifica o dentro. Nossa diretora escolar, brincando e com certa ironia na voz e riso, dizia-nos que estar preso, referindo-se aos internos nas grades, era ter segurança 24 horas, casa e comida; numa realização de sonho de mundo. Uma ironia oriunda de uma não-ironia, porque tendo por modelo o mundo do trabalhador, e este também preso na máquina de produção, com a vida dita livre ou em liberdade.

Não por acaso, na ordem da coisa, a favela sendo a grande fornecedora de mão-de-obra mais simples, é quem recebe mais tiros da polícia.

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