A Palavra, o Risco a Riscar

Escrevendo com meus amigos do crime dentro da cela escolar, os mais inteligentes e perigosos mostravam-me seus medos das palavras. Naquela época, não havia ainda em mim a consciência desse nosso medo de escrever; por que existia e existe, como se forma e quem o impõe. Hoje colocando-me numa espécie de contradição: mesmo quem muito valente produz e enfrenta batalhas sangrentas no vai-e-vem da vida, o periculoso, treme e empalidece diante da letra, do texto, que também pode lhe nascer por dentro.

Nos tempos primariais escolares ao pôr-me no papel em iniciais rascunhos , inconsciente ou não havia a ordem na pergunta: será que isso pode? A cerca sendo implantada. Ela a cerca mesmo que na arte carinhosa, da ordem do poder.

Por me dizer anteriormente no primeiro parágrafo, que não havia em mim a consciência do medo das palavras, eu mentia. Na verdade, ele o medo já tão enraizado, que me faz até esquecê-lo ou pensar que não existe. Medo que encontro diário nas bocas do povo, na tentativa de dizer pensamentos que nos nascem por dentro. Matando-se a letra executa-se peremptório o pensar no paredão mortal da própria existência; a mudez acostumada.

No crime do escrever, posso estar determinando minha prisão no muro executor da sentença aos indóceis. A condução das cabeças e mãos chegam-nos a todos os momentos e lados do dia. Aonde andar e o que ver, como ver e saber. Estamos na prisão dentro e fora das cadeias. A letra é só e não só um simples desenho. E pode entre coisas nos fazer amarelar e até fugir dela, como meus amigos corajosos do crime ou um poeta medroso.

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