“O senhor está blefando professor?” Sussurrou-me ao ouvido a voz bandida do crime; silencioso assenti discreto com a cabeça que sim. Para mergulhar-me e saber como as coisas andavam ou iam, eu me atiçava até a muitos perigos nas duas facções em conflito: a dos bandidos e a da ordem da lei. A gestos curtos ou falas eu saía da ética e moral de uma ou da outra; sem mesmo me refletir só jogava. Pondo muito em altas dúvidas quem eu era; se realmente bandido ou homem direito. Fazia isto não num gesto raso de desconfiança, mas a aprofundar olhares e saberes; aonde e com quem eu estava. Passei lances de risco com noites insônias medrosas. Os contrários em luta podiam me matar, se um dos dois assim o quisesse.

Meus amigos do crime sempre se mostraram e agiram os mais periculosos capazes. Ao limite extremo de tensão e dúvida, num movimento, pequeno olhar ou traço de rosto nos entendíamos, a quadrilha fechada. Encarniçado nessa mata escura e perigosa eu buscava verdades. Para tal, minhas mãos desconheciam os valores prévios sociais ou de vida, pois amarradores ou falsos. Os horizontes bons ou realizadores estão reprimidos e escondidos; não podemos avançar; tiranizam.

Depois de tudo nas prisões, há anos pergunto-me como puderam enxergar-me tanto, pois eu os provava, a testes também como já dito, a buscar quem os bandidos realmente eram. Coloquei-me todo a eles por já saber o outro, o da lei. Não para só ter um gosto a mais, mas para além ver o que temos; que nas crônicas almejamos nos mostrar.

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