
Nunca se sabe a cor do maior escritor brasileiro Machado de Assis. Já vi seu rosto numa galeria só de ícones culturais negros. Cabeças intelectuais o teimam branco, e sempre silenciando que nasceu num alto de morro miserável. Na questão da cor muita coisa se esconde. Talvez a principal de que o grande pilar literário nacional possa ser da cor do carvão. Mas pulemos um pouco de romances e escrituras e alcancemos o atual. Se o negro brasileiro é tão marginalizado e criminalizado, é por medo branco de que ele tome o poder. Não que não possamos ter um presidente negro, o que não fará diferença alguma. Porém sim que a negritude alcance forças decisórias nas instituições públicas e centros de poder, quaisquer que sejam, passando a ditar e decidir o mundo; aconteceu no futebol. No início do século XX, falou-se no Brasil que o futebol mostraria a superioridade branca de força sobre a negra nos campos gramados. Não só no Brasil, falo também da Europa. Os times europeus e seleções estão infestados, às vezes em maioria, da cor africana. Sem a dita inferioridade da cor negra muito futebol não existiria. No Brasil não se dá um caça de guerra a um piloto negro, pelo medo lógico de que ele ataque pelos céus os poderes brancos; como o congresso nacional, os palácios de governo e toda cumplicidade branca. Há mais coisas. Numa infiltrante tomada de poder pelos negros de forma lenta porém sem cessar, podem brancos “negros” começarem a surgir, minando e mudando situações e verdades; colocando em xeque o que é ser branco ou negro. Como ainda e também os negros “brancos”; ou seja, os da cor que tentam e se fazem de brancos. O racismo mora entre as pessoas, no social. Prende-se muito mais o negro para matar inteligências e assim perigos futuros. A polícia visa muito mais a cor, do que a história e as atitudes dos suspeitos ou não. Mesmo dois internos penitenciários, um branco e outro negro, nunca são iguais. As cores estabelecem direitos, tratamentos e olhares; também a falta deles; como ainda quem morre primeiro ou nem sequer deveria ter nascido.



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