“A pobreza é a fonte da revolução e do crime”. Aristóteles.

Mesmo na liberdade falo de dentro de uma prisão. Vamos ao que estou. Vozes nos dizem o tempo todo certas verdades suas. Entre tantas tolices alardeadas verdades, duas são principais sobre a nossa origem vermelha; ou seja, o nascimento do grande grupo social hoje Comando Vermelho, o C.V.. A primeira, de que só conseguimos surgir como grupo nas prisões da Ilha Grande*; assim de que já brotamos no negativo das muralhas. Então, de que nossa gestação e nascimento no social da vida, estão fortemente rotulados pelo lugar aonde aconteceram, e portanto parto condenado. Adiante nossa crítica e esclarecimento. Dentro da nação brasileira, toda e qualquer mesmo que embrionária organização social, só pode existir sob os beneplácitos e louvores dos poderes centrais, o resto é crime. Está claro e certo que nós, ainda Falange Vermelha, conquistamos ouvidos e olhares a partir de um certo momento lá naquela fatídica ilha prisional. Porém o que ninguém fala ou vê, é que trazíamos mais do que do continente antes em nossos corpos, nossas respostas às opressões e negações ao direito de vida. Existiu a protofacção em gestação. Mas quem se organiza fora do guarda-chuva das mãos leviatãs é visto e tido bandido.
A segunda tolice alardeada, é a de que foi a mistura dos intelectuais presos conosco bandidos, que nos iluminou por dentro. Este sendo um modo oficial histórico enganoso de assassinar inteligências; que elas germinam naturais em qualquer lugar, como nos morros e em cabeças que nunca frequentaram escolas e salas de aula; que até também por isto, esta falta escolar, sejam livres para pensar o mundo. Quando chegamos às grades insulares, já levávamos nossa vontade e movimentos para chegarmos aonde chegamos, aonde estamos, na guerra.
No filme diário televisivo e dos jornais, não mostram e nunca mostrarão a participação eficiente e livre das mães, esposas e mulheres geral em nossas vidas guerreiras. Elas quem nos alimentam de corpo e de alma, no corpo e na alma. Na tagarelice pátria inexiste o real da penúria e da fome nacional; e muito menos ainda que resolvemos lutar, combater o gesto que nos elimina.
Nota do autor:
Ilha Grande está localizada no espaço marítimo do Estado do Rio de Janeiro, Brasil; local de um hoje extinto complexo penitenciário.



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