
Em nosso grupo de baganas cubanas e outras mais, vozes de sabedoria afirmam que a favela já desceu para o asfalto. Alguns mais céticos dizem que não, ainda está querendo. Descer para o asfalto significa a guerra e a tomada bruta de tudo aquilo que sempre esteve embaixo no asfalto e nunca, nem em leves sinais, nos altos dos morros e periferias, a socialização dos bens ainda que básicos e mínimos. A fome tortura os estômagos da nossa maioria espoliada secular. Pequenas vozes como a de quem vos escreve, cantam firmes que só começaremos a mudar o inferno brasileiro, quando resolvermos matar deputados e suas quadrilhas de facínoras. É só abrir a fila com o primeiro. Somos uma escola naquela salinha apertada de brasas vermelhas. Não temos programa antecipado. Discutimos gostos de chupadas em vaginas cabeludas ou depiladas; nossa preferência intensa de sabor é pelas empentelhadas, com mais cheiro de mijo. Pulamos sem aviso para o presidente Trump, Rússia, China e as ameaças com perigos de conflitos bélicos. Todo mundo é professor e aluno ao mesmo tempo, sendo que uns se dizem e se acham mais. Nas horas avançadas já da noite os alaridos aumentam, como num grupo de meninos todos sabendo tudo. Aprendi na salinha de aula e de charutos, que fome não é só falta de comida, mas é também e talvez muito a dos que se alimentam mal, com alimentos falsos e enganosos da indústria cada vez mais dominadora de estômagos. A propaganda dos sabores e cores prepara e sustenta as vidas que estão a morrer pensando viver. Cérebros e almas de crianças mal formados pela ignorância e pratos de comida venenosos compõem o céu de futuros. A morte vem pela vida condicionada já antes a morrer. Brincando, digo para a balconista apontando nossa turma charuteira, que todos ali sabem de tudo do mundo inclusive eu; ela ri. Num separado, digo-lhe que somos a conversa da comunhão, ao modo de uma família reunida a falar de tudo e de todos às gargalhadas, pondo depois as mentes num certo repouso.



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