Nos sentimos livres quando estamos mais presos. Aos inícios, qualquer um de nós que lecionávamos, vínhamos antes cheios de medos ao horror e separações. Trazíamos sem saber nossos próprios grilhões, que as ordens das portarias e secretarias só reforçavam. Até porque antes, nenhum, mas nenhum mesmo,  podíamos entrar livre. À ordem nossos horrores e repulsas serviam mais, se encaixavam aos princípios benevolentes.

Cada pessoa docente trazia o bem, assentado nas ordens vistosas. Quem vem, vem para ensinar. A dizer o descobrir um mundo melhor e ainda resgatável. Mas não, à prisão levávamos mais prisão; melhor, muito mais prisão. Na cadeia, qualquer cadeia, só pode e entra mais cadeia. Até porque este é o grande dilema prisional. Algumas professoras chegavam tremendo ou intensamente recuadas por dentro. A alma liberta. Portanto, parecendo estar tão perto, manter-se o mais distante possível, no seguro, na higiene do grande medo.

Então, tudo que entra, entra com mais correntes, barras de contenção e algemas. E nisto, o permitido de fora serve. Aprisiona-se infinito pelo grande engodo. O grande engodo das instituições resignadoras; da escola, religiões,  padres, professores, com a grande noção do bem chegante. De mim, professor, com pequenas falhas, tirei minha máscara de sapiente mestre da liberdade e do bem nos momentos precisos. Nunca que eu poderia enganá-los. A alma assim me pedia. Pois que eles já se encontravam presos mesmo antes de estarem ali. Que liberdade só conduz à liberdade, prisão só nos encaminha à prisão. O discurso nosso pensado e refeito.

Cúmplices, eu e os bandidos começamos a libertar, em nossos bons-dias serenos.

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