Pedaços do povo ou o povo inteiro, pensam as prisões locais de extrema devassidão. Sendo o conceito de devassidão ação da repressão. A pessoa que entra ou sai de qualquer lugar, só se locomove por inteiro como já se disse, pois ninguém consegue fugir do seu próprio eu. Cada prisão que habitei possuía realidades distintas, diferenciadas entre si, conforme a manutenção ou as mudanças dos seus coletivos, das suas gentes. Até mesmo na troca de um coletivo inteiro de uma unidade prisional para outra, aconteciam nuances de comportamento como em qualquer escola de crianças. As coisas os encontros e as conversas, os gestos, iam fluindo ou se recolhendo aos desejos da hora. Nas amizades contávamos, aumentando um pouco ou muito mais, nossas conquistas externas anteriores e as que ainda faríamos. Na prisão as resistências aumentam ou as liberdades se soltam, num fora de padrão do comportamento do social da rua; as almas se aguçam ou morrem. Mas nunca conseguimos ir além de nós mesmos. Cada corpo, cada vida, manifesta e realiza seu mundo, nunca nada a mais ou nada a menos que isto. Não é preciso contar, nem tampouco fiscalizar as intimidades que cada preso gesticula possui e é. Na cadeia algo pode se intensificar ou acabar em decorrência do ajuntamento forçado. Também nem nos interessa narrar o que acontece e se faz desde sempre no mundo, artes de fornicação. As carnes são sempre carnes em todo e qualquer lugar. Fora do corpo não existe alma. Nosso objeto é buscar destruir preconceitos e condenações sem valor de verdade, por si mesmo injustos. Coisas que interessam existir para o moralismo criminoso sempre presente. Quer saber de sexo, nos disse um general romano, basta ir nas barracas dos soldados; ou em qualquer ajuntamento religioso pela nossa voz.

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