Bandido virei polícia. Conto agora miúdo como foi. Nas hastes da vida fui me misturando criminoso ao crime, a carceragem cada vez mais comigo; tudo em nós e por nós se amarrando, até em nós se contar só irmãos. De fora perceberam que aos sustos e rebeliões bandidas eu nunca estava, ou seja sempre a salvo. Quando a prisão explodia, alombrava, e queimava ardoroso o espírito em revolta, eu professor era marcado ausente. Minha pele não podia sofrer ou queimar, ordem e decisão coletiva. O crime protege amigos. Demorei também a me sentir à coisa, que nossos corpos e mãos se uniam para tudo. Fechado junto eu já estava. Mas nunca me gloriava de proteção, não precisava. Só nossa relação nos baseava, em laços e afetos do ser. Porém ao ser de fora isso me marcava. Professor, meu nome não constava do registro carcerário como documentado bandido, mesmo sendo fiel do crime como eles.

Então dentro da pureza escolar virei peça suja. Começaram assim muito a desconfiar de mim os da segurança, e quem sabe todo o mais. Talvez que eu levasse comigo recados criminosos pelo cofre secreto mental. Da prisão se pode mandar no mundo de fora, também executar. E assim aos olhos mais bandido. No aristotélico de quem é amigo protege, fiquei todo pelo crime, na lição de que amizade e lei jurídica nunca se confundem, outro saber do Estagirita. Mas vamos lá ao delito, continuemos. Por lógica e necessidade, tínhamos eu professor e o crime coletivo nossos sinais humanos e secretos de segurança: pode entrar ou não pode entrar; vai virar a cadeia ou não vai explodir. Tá limpo ou tá sujo melhor dizendo, num simples aceno de mão ou na falta dele. Nos falávamos fiéis e sinceros já a distância. Um guarda de portaria um dia mesmo que inocente, me lembrou da minha grande precaução, ao mínimo sinal eu já não entrava nas grades, pois que podia depois não sair, agarrado refém do coletivo bandido revoltado.

Mas como tudo no mundo madura, os tatos foram deveizando. Ao me terem a vigilância na carceragem a coisa estava tranquila lá dentro, concluíam, nada de perigo a acontecer. Fiquei boia bom sinal na água funda bandida; marca de polícia no campo deles os ruins. Na troca, mas confusão, isso me libertava mais, enganando quem nos vigiava de fora, na vesgaria.

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