
Dos meus onze irmãos, comigo doze, só seis sobrevivemos. Os caixões infantis desciam o morro numa rotina fúnebre semanal e até quase diária. Sem nem antes esfriarmos de uma morte já vinha outra. Chegar depois dos cinco anos era a primeira e grande façanha de vida. Os remédios e os chás vieram curando mais nos anos seguintes. Quem morreu prematuro lá em casa talvez já nascera doente ou combalido. As doenças da natureza vinham completar o serviço. E mesmo dos muitos que em escape chegaram adiante dos dez anos prosseguiam aos trambolhões mortais ou quase mortais. A cultura alimentar brasileira ainda está na tragédia. Passou-se anos, décadas, e o consumismo subiu, até extrapolou, mas não em qualidade e sim em quantidade. Barrigas mórbidas proliferam no mundo.
Voltemos aos bebês. Em nossa carnificina toda de guerra sangrenta, estamos como os bárbaros Cossacos e Tártaros; que assavam nenéns para as próprias mães inimigas comerem. No ano da nossa graça brasileira de 2025, alcançamos três mil fuzilamentos de nossas fofuras crianças de colo; que vão do ano zero de vida aos quatro anos. Nesse pé, do zero aos doze anos a imensidão do crime deve se multiplicar por quatro ou cinco vezes. Os tiros substituíram as bactérias e os vírus; talvez por serem mais práticos, higiênicos e antes de tudo menos custosos. A Economia nos ensina que um projétil de aço custa muito menos do que um tratamento médico ou hospitalar. A lógica do monstro então é: para que gastar mais se posso gastar menos. Produzimos um social diariamente por natureza infanticida. Não indago um porquê e nem nunca aponto provável abrandamento ou solução. Estamos nos degraus do nosso próprio inferno.



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