
Só na masturbação não basta. Por mais punhetas e todas deste mundo afora, queríamos mesmo a carne mijada que toda fêmea traz na frente no meio das coxas. Havia o sonho dos sonhos clamando por elas, que baixavam em nós feito fantasmas. Já nascemos com esta ganância de carne. Menininho ainda, brinquei de meter com minha irmãzinha menor, ela ria prazerosa. Fora alguma safadinha como a Serlúcia, que acordava querendo dar para os meninos do morro mandando fazer fila. Pernas abertas e a bocetinha só esperando, pronta para engolir; a pretinha se gozava de rir sentindo a gente por cima. Nos sonhos vem algo mais de dentro, mais livre, estranho. Não se escolhe corpo nem se separa parentesco; vem à cabeça dormindo o que se precisa comer, sem ordem de sangue ou de não sangue. Já fiquei de pau duro sonhando com as minhas irmãs sem que houvesse um não, dormindo as barreiras são outras. E tudo isto na prisão aguça mais. Vendo prostituta indo embora na ala das celas, ela acabara de atender vizinho de grade num jogo de arranjo, desabei a chorar feito bebê querendo os mamilos da mãe. O lugar aonde mais se deseja e sonha é na prisão. Secreto como toda alma, eu buscava conciliar fomes reais com imaginários de punhetas, sem nunca ao menos chegar perto. Mesmo depois de uma manipulação da piroca bem gozada bem batida, a tesão continuava intensa na tentação do real. Sempre evitei olhar visita dos outros internos. Tudo delas podia e pode mexer, mesmo um perfume ou bolsa, algo que lembre mulher; e assim nos invadir e dominar. No escape dos sonhos eu me fazia um outro mais, só que por vezes vergonhoso, muito vergonhoso. A vontade de prazer desconhece as diferenças de gênero; entre o homo e o hétero pula-se a cerca sem culpa; e esta quando vem só depois. O onírico nos mostra e realiza isto, e todo e qualquer desconhecido isto. Ao acordar, jogamos o não reprimido do sonho no esquecimento. Fora da punheta e dormindo qualquer um se bastava, saciava o vazio da falta interior. Sexo é muito mais o de dentro do que o de fora visível. Trazemos coisas selvagens violentas lá de trás, das nossas origens bem origens. No isolamento forçado, as realidades ancestrais mais ou menos suplantadas voltam à tona e acontecer. Foder é tão antigo quanto respirar. E a prisão ao prender sufoca só torturando. As saídas das artes pubianas e dos sonhos, respiradouros à mão e na alma, que nos alimentam até o fim aliviante das grades.



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