
Antes aos meus amigos e parceiros das prisões sempre, que me propuseram a arte de atirar melhor e assim matar mais, escrevendo. A eles devo alta compreensão e valiosa estima.
É preciso romper as muralhas da semântica imposta.
Meus primeiros tiros saíam toscos e insignificantes, talvez nem assustassem ninguém. Mas meus parceiros nas prisões de Gericinó no Rio de Janeiro, colocavam em minhas mãos e pontarias todas as esperanças de liberdade. Como se ao publicar o primeiro livro pudéssemos já demolir as muralhas próximas e todos fugirmos. Não sabiam eles, nem ainda eu, que necessitávamos de um longo aprendizado, este já tardio. Pois que a escola pública aonde estudamos nos enganava de tudo; e assim dentro da prisão fomos aprendendo pela experiência kantiana. Por obra desse mundo dito o melhor dos mundos possíveis, nossas prisões são maiores do que todos os horizontes alcançáveis. Mesmo incipiente e longo nosso aprendizado poderia crescer, como veio crescendo, e assim num tempo nos servir, ao contar a nossa própria história a partir e sempre das nossas bocas, que estávamos como estamos cansados e enojados das que se dizem fielmente nos dizer. E então por tudo começamos a nos contar, como ainda estamos e sempre estaremos, É só uma questão de identidade e de verdade. Nossas cordas vocais são sempre quem nos dizem. Descobrimos que as vozes da ordem não, nunca nos disseram. E assim resolvemos nos escrever; inclusive com todos os analfabetismos perenes, partes filogêneses dos nossos textos.



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