
Aprendi a atirar com Voltaire, com Marcuse, e com Adorno; a facção Comando Vermelho veio depois, como grande grupo organizado e seguro de guerra. Eu e meus amigos do crime. Me queriam numa boca de fumo* ou quem sabe gerenciando fuzis. Logo de cara viram que eu sabia já um pouco atirar, que não perdia aços e miras. A mira de saber, inventar e perceber. Meu horizonte alcança distâncias. Cada tiro sai com carga semântica a que pior ou mais pesada eu conseguir. Algumas cabeças são de ferro, muitos olhos não sabem ver. Preciso furá-los a fundo. A bala vai em meu nome, o imaginário desarranja o real. O mundo mexido, quem sabe destroçado por uma bala perdida. Viso saberes e espíritos que impõem falsos, mentirosos mundos. Matar sempre o que se esconde pelas almas inimigas.
Nota: boca de fumo, lugar aonde se vende drogas ilegais.



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