Hoje só tem negão nas gavetas do instituto público de cadáveres, me dizia o maquiador de corpos.

Se a prisão é negra em metáfora e não-metáfora, os pontos pretos são os mais atingidos pela nossa polícia campeã. Isto sempre foi banal desde o início, e continuará sendo; inclusive também dizê-lo. Banal aqui é ser e dizer. A banalidade de muito acertar o alvo negro. Matar o escravo nunca nos tocou em nada. A grande obra humana. Porque se matar é humano, matar mais é mais humano. Nosso alvo de horizonte é o negro; o ponto negro de atingir, de acertar jubilosos na habilidade magna da mira. Sou o grande atirador. Eu atinjo o negro, o ponto negro, o nosso escolhido alvo social nacional. Não alvo de alvura, de pretura mesmo; como na roda com círculos concêntricos e ponto do grande prêmio no meio. Somos verdadeiros. Exímios atiradores. Ex-escravo marca de alta preferência nacional. Aonde ex nunca é prefixo de passado, e sim pedigree de origem; assentado em nossa língua e pensamento.

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