Aos nossos amores quase secretos. Dos que já se foram, dos que ainda estão.

Alto barulho me invasor ao ataque. Sirenes de tensão e rechace, pelas ladeantes. Correm a único lugar. Dos céus, ave rodante soa e estremece, a morte nasce dali. Bocas de fogo miram abaixo. Vão e que vem; volteando, fuçando minúcias. Todos os lares suspeitos. Criança mesmo dormindo esconde o nojo do ódio, o mal. Ao ataque vitupério então.

Motocicletas iradas cercam as saídas e entradas. Constante posto de tiro vigiam o ar, um cisco pode matar. Todo medo tornou-se rotina. Até sombreado ao sol escaldante vai me enganar e ferir. Encolher tático e já tão contumaz, surge no corpo em instante. Peles mortais necessitam esconder, deitar no chão e se aninhar. Nuns lares, cantos da casa se viraram mais queridos, difícil da morte ali me atingir e furar. Algo de móvel se põe em barreira, que foi habilmente já posto. A guerra dentro de casa. Atacantes, diabólica bala pública do governo pode matar-me. Serei apenas mais; ou quem sabe já sendo menos um. A vida de um dígito, facilmente deletado depois. Às trincheiras voltemos. Em paredes o emboço fica bem mais forte, cimentos e areias misturados a mais. Ninguém sabe do estorvo que vem. Certeza só a do ataque, na hélice do vigiador. De cima não sabem quem sou. Minudências distância impede de ver. Não há tão binóculo ainda. Da ordem assim só matar. Inimigo está logo abaixo no morro. Identificação já foi feita, pode atirar. Certo “engano” desculpável da guerra. Todos habitam ao léu.

Crianças já nascem ao ataque possível. Falar, andar, defender; lances aprendíveis à vida. Ser o que for depois, mas antes e antes humano. A hélice lá de cima nos desiguala de todos, no berro cruel de um ataque iminente. Luzes vermelhas avisam; em claro soslaio estamos aqui.

Ao desumano da favela sempre inimiga, incertezas e faltas habitam. Vidas tão perto distantes. Água primeiro é de baixo, se sobrar alguma que sobe. Estreituras de ruas que merecemos ter. Forma de colmeia que favorece e guarda, marca porém o atirar de certeiro. Ninguém por dali faz falta.

Olhamos num ser e não-ser. Ouso, meio escondido, ou até a não dizer aonde moro e onde durmo. Me escondo. Podem desconfiar. Não me aceitar. No fim, incongruência de existência, medo e muito nojo de nós.

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