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Sempre li jornais. O viver dentro das grades mostrou-me alguns disparates de notícias. Ou seja, entre o acontecido por lá e o veiculado aqui fora. Mas isto já se banalizou, virou talvez uma das nossas verdades de ser. O jeito brasileiro da mídia nos contar.
Na explosão da morte do jornalista Tim Lopes, nós todos falávamos e pensávamos nela. Forte tensão e expectativa se impregnavam pelo ar. “Agora, o que será?” Ele desaparecera numa comunidade, nas mãos dos bandidos, os jornais diziam.
As mídias, quase num todo, injetavam no mundo, cabeças e almas, forte senso de condenação. Para além de uma morte a liberdade de imprensa fora atingida. E ela, esta liberdade, é quase um anjo. Assim, nenhum jornalista pode ser ferido ou morto, lógico se estiver a trabalho. Porque fora dele talvez todos sejamos um nada.
Entre o fato e a letra pode haver longas distâncias. Mais do que distâncias, rupturas e invenções. Ainda no ambiente carioca de forte tensão pela morte do jornalista, num cruzar pessoal e comum de cadeia perguntei sobre Tim Lopes. Ao que a voz respondeu-me: ah! professor, vocês sabem a versão do lado de fora. Mas a realidade é que lhe demos amizade, confiança, objetos de prazer, e depois percebemos que ele nos entregava, nos traía. Então o deixamos continuar e deu no que deu.
Houve durante e depois daqueles dias da tragédia, forte vitimização do jornalista morto, com ares até de beatificação. Hoje estratificada na própria comunidade do crime. No Complexo do Alemão, prédio escolar público ostenta o batismo de Tim Lopes.

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