Minha alma são muitas pessoas.

Não havia água em casas por aquele distante; só a bica longe. Riscos de caminhos entre as gramas conduziam pés descalços ou de tamancos, feito formigas trabalhadeiras. As ruas da ordem já estavam prontas; que não as usávamos. O tempo parecia antigo. Virtualidades meninos e meninas já se balizavam ou até apareciam por algumas peles. Mas o futuro adulto não chegara por nossas cabeças; estava só pelos nossos pais. Pés e mãos miúdos caçavam trabalhos carregadeiros ou catadores de algo, na busca de alguns tostões. Uns mais e outros menos.E outros em outras direções afins. Os olhos se guiavam sem um cerebral tão formado. Não tocávamos a dureza crua do real. Aquele que nos mataria uns, enlouqueceria outros; e aqueles outros que ninguém esperava ou via. Que só o Destino sabe. Porém nossa criancice cobria tudo. E brincávamos a vida pela bola de meia e caçadas. Assombrações assustavam pelos cantos escuros; criadas por um grito qualquer, mas de valentia irmã, comunhão.

Tem que chegou grande monstro de fora, pelos jornais e as rádios. E criou-se um medo em partilhado, morando pelas almas da gente. Nossos pais não diziam nada; por muros de proteção aos abalos e até desfeitos. As línguas e as bocas dividiam fatos, aumentando ou diminuindo aos pratos dos temores comidos. Que sabíamos sem muito ver, o de aquilo poder também nos atingir, sem um prévio de não. A baixa igualdade nos igualava. O distante está aqui, rondando-me mas já em alma; de meninos e meninas recuantes, recuadas ao obedecer de quem limitava o mundo. Só aquele aonde respirar e andar.

Milícias de extermínio nas baixadas pobres. E à noite, bem mais noite, jogavam e afogavam mendigos. O rio era por ali, meio que também pela gente. A segurança das casas podendo ser toda desfeita, invadidas por uma força maior que ali chegasse. Pois mesmo que dissessem só mendigos, ao claro que podia ser qualquer um, incluindo nós. Formávamos um visível; o de um para qualquer um. A pulsão da vida alertava. Nesse denso de tempo crescíamos pela natureza, achatados por muralha repressão do medo; vinda de cima conforme Deus. Por assim posto, algo de nós jamais poderia sair ao mundo, o sossego da liberdade.

Veio que outros tempos conforme o mando. Tiros sobem e entram aonde querem entrar. Antes caçavam mendigos, delinquentes e outros indesejáveis quaisquer. E nesse põe e repõe estraçalhavam certeiros todos também do ao redor. O isto por aquilo, de sempre.

As balas atuais, bem mais longas, atingem todas as cabeças da mesma altura ou distância; de um neném bem fofinho até resinosa velhice. No medo da morte que todo estampido impõe.

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