De repente entrou uma menina e saiu; não a notamos logo. Meia hora depois voltou e se apossou toda de nós. Uma égua baia, na comparação mineira de tão portentosa cabocla. Entrou e sentou; claro, num lugar de onde todos pudéssemos vê-la e assim nos dominar; e acho que foi o que mais fez. Antes dela, o grupo de quase todos velhos falávamos o prato trivial de sempre, em nossas disputas e distrações de conversa; onde um mínimo de silêncio tem que ser preenchido logo por um barulho qualquer, não importando nunca se verdade ou mentira. Mas ela entrou e sentou. E tudo no mundo por assim mudou; a começar que nós homens amigos tornamo-nos inimigos. Como já disse cabocla, completo agora, alta, carnuda e bela; com uma calça justa, tênis jovem e bastante firmeza de ocupação de espaço. E logo se pôs também a falar perguntando coisas. Imediato, nós todos os homens passamos a querer dizê-la, ela, e a ela. As histórias nossas deram um salto rápido de alturas; cada homem sabia mais que os outros, o padrão de disputa. Se antes da cabocla chegar a coisa estava madorra, pacholenta, com ela o globo do mundo ficou bem menor nas mãos masculinas. Não sei por que embora sabendo muito, nichos históricos, filosóficos e da psicanálise afloraram imediato às bocas. Ela, malandra, sorrateira e dominadora, dava atenção a cada um e perguntava mais. Logo logo nós homens começamos a nos forçar ao direito de fala; porque eu sei mais que você, nos dizíamos uns aos outros pelos timbres da voz. Durante a sua ficada com sete homens, a Thais dominou nossas vidas; tal como uma garotinha invade um grupo de meninos, tornando todos babacas e lambedores dela. Prometeu voltar.

Adiante logo depois já sem a delícia Thais, continuamos babacas vencidos mas com lambidas de falsa vitória; falando xoxotas, comeres, calcinhas e muitos sofreres.

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